Alívio nas tarifas entram em vigor: Estados Unidos e China enterram hoje o ‘machado da paz’

Com estas decisões, Washington e Pequim prolongam por mais um ano a trégua nas tensões que marcaram o relacionamento económico recente

Francisco Laranjeira
Novembro 10, 2025
7:30

As novas medidas comerciais acordadas entre os Estados Unidos e a China entram em vigor esta segunda-feira, marcando uma nova fase de distensão entre as duas maiores economias do mundo. O presidente americano, Donald Trump, assinou um decreto que reduz de 20% para 10% as tarifas adicionais sobre produtos chineses, em resposta ao compromisso de Pequim de combater o tráfico de fentanil — o opioide sintético responsável por uma crise de overdose sem precedentes nos EUA.

O decreto de Trump formaliza parte central do acordo alcançado com o presidente chinês, Xi Jinping, durante a reunião realizada no final de outubro, na cidade de Busan, na Coreia do Sul. No encontro, Xi comprometeu-se a interromper o envio de materiais usados na produção do fentanil, enquanto Washington prometeu reduzir as tarifas de importação de produtos chineses.

O entendimento foi saudado por ambos os lados como um passo concreto para restaurar a estabilidade económica global após meses de tensão. De acordo com a Globo, Trump sublinhou que “o cumprimento das medidas pela China será acompanhado de perto por autoridades americanas”, reforçando o caráter de monitorização bilateral previsto no acordo.

Pequim responde com medidas de reciprocidade

O Ministério das Finanças chinês anunciou que manterá suspensa por mais um ano a tarifa adicional de 24% sobre produtos americanos, fixando em 10% a taxa geral de importação. A decisão, que também entra em vigor hoje, “reflete o consenso alcançado nas consultas económicas e comerciais entre China e Estados Unidos”, refere o comunicado oficial de Pequim.

Além disso, a China suspendeu tarifas de até 15% sobre a soja e outros produtos agrícolas dos Estados Unidos, num gesto adicional de boa vontade. A medida deverá beneficiar produtores americanos e aliviar a pressão sobre os mercados agrícolas internacionais.

Trégua após um ano de escalada tarifária

Com estas decisões, Washington e Pequim prolongam por mais um ano a trégua nas tensões que marcaram o relacionamento económico recente. Ao longo do último ano, as duas potências envolveram-se numa escalada tarifária que chegou a atingir percentagens de três dígitos, afetando cadeias de abastecimento globais e gerando incerteza nos mercados tecnológicos e industriais.

Durante o encontro em Busan, Trump e Xi também acordaram que as tarifas médias sobre produtos chineses baixariam de 57% para 47%, enquanto a China se comprometeu a retomar as compras de soja americana, manter o fluxo de exportação de terras raras e intensificar o combate ao comércio ilícito de fentanil.

Segundo o jornal brasileiro ‘Globo’, analistas consideram que o novo entendimento representa “um alívio temporário” para a economia mundial e para as empresas dependentes de insumos tecnológicos, ao mesmo tempo que sinaliza um esforço político para travar a guerra comercial que vinha ameaçando a estabilidade global.

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