Um aliado próximo do presidente russo, Vladimir Putin, admitiu que a Rússia poderá recorrer a armas nucleares contra a Europa caso se veja próxima de uma derrota militar. A declaração foi feita por Sergey Karaganov, presidente honorário do Conselho de Política Externa e de Defesa, um dos principais centros de reflexão estratégica de Moscovo.
Em entrevista ao comentador americano Tucker Carlson, Karaganov afirmou que um cenário de derrota russa teria consequências devastadoras para o continente europeu. “Se a Rússia chegar perto de ser derrotada, isso significaria que a Rússia usaria armas nucleares e a Europa estaria fisicamente destruída”, declarou, segundo a ‘Newsweek’.
Karaganov considerou ainda “impossível” pensar numa derrota da Rússia, acusando os líderes europeus de alimentarem essa ideia por razões políticas internas. De acordo com o responsável russo, os Governos europeus precisam de um conflito prolongado para justificar a sua permanência no poder e a própria existência política.
Impasse na guerra da Ucrânia agrava tensão internacional
As declarações surgem num contexto de bloqueio nas negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia. Na mesma semana da entrevista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que Vladimir Putin estaria “pronto para fechar um acordo”, mas considerou que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enfrenta dificuldades em alcançar um consenso. Uma leitura partilhada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
O clima de instabilidade internacional é agravado pelas tensões no seio da NATO, num momento em que Trump voltou a pressionar para que os Estados Unidos adquiram a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca. Os aliados europeus alinharam-se com Copenhaga depois de o presidente americano ter sugerido que a ilha poderia cair sob influência chinesa ou russa.
“Ilusão fantástica” sobre a derrota da Rússia
Durante a entrevista transmitida na passada quarta-feira, Karaganov, antigo conselheiro de Putin, classificou como uma “ilusão fantástica” a ideia de que a Rússia possa ser derrotada e acusou os líderes europeus de apresentarem níveis historicamente baixos de inteligência.
O responsável afirmou ainda que os europeus acreditam que a guerra nunca chegará ao seu território e defendeu que cabe à Rússia “fazê-los cair na realidade”, preferencialmente através da ameaça e não do uso efetivo de armas nucleares. Ainda assim, advertiu que, se o apoio europeu à Ucrânia continuar, Moscovo poderá ser forçado a agir de forma “severa”, embora alegadamente limitada.
Estas posições não são novas. Em junho de 2023, Karaganov já tinha defendido publicamente que a Rússia deveria ameaçar, ou mesmo usar, armas nucleares para “trazer à razão” os seus adversários.
Apesar das declarações sobre abertura ao diálogo por parte do Kremlin, a possibilidade de uma solução negociada permanece remota. A Ucrânia mantém a posição de que não pode ceder território, enquanto a Rússia exige o controlo total da região de Donbass como condição para qualquer acordo.














