A Alemanha está a preparar as suas Forças Armadas para um eventual ataque da Rússia à NATO dentro de dois a três anos, cenário que colocaria o país no centro de um conflito de grande escala no continente europeu. O alerta é do tenente-general Gerald Funke, chefe do Comando de Apoio das Forças Armadas alemãs, que admite estar a mobilizar milhares de militares para responder ao pior cenário possível.
Segundo o ‘The Independent’, Funke considera que a ameaça russa vai muito além de um confronto militar convencional, envolvendo ações híbridas como sabotagem, ciberataques e operações encobertas em território europeu. “O que mais me preocupa neste momento é o lado híbrido, o lado secreto: sabotagem, células adormecidas, algum tipo de ataque direcionado”, afirmou o responsável militar, admitindo também não poder excluir o uso de mísseis de longo alcance.
Logística no centro das preocupações da NATO
De acordo com o general alemão, um dos maiores desafios para a NATO numa eventual invasão russa seria a logística, em particular a capacidade de transportar dezenas de milhares de soldados aliados até à linha da frente. Funke alerta que as principais rotas rodoviárias e ferroviárias europeias poderiam ser gravemente afetadas por sabotagens, ataques informáticos ou bombardeamentos seletivos, dificultando a mobilidade das forças da Aliança.
A Alemanha, sublinha, teria um papel crucial como principal centro logístico da NATO na Europa, o que a tornaria um alvo prioritário em caso de conflito. Manter a funcionalidade das infraestruturas e garantir o fluxo contínuo de tropas, equipamento e apoio médico é visto como essencial para a resposta militar ocidental.
Preparação para um elevado número de vítimas
Outro dos pontos críticos destacados por Funke é a necessidade de preparação para um número muito elevado de baixas. O responsável militar reconhece que os cenários atualmente em análise são significativamente mais graves do que missões anteriores. “No Afeganistão tive um número considerável de baixas, mas administrável. Agora tenho de me preparar para a possibilidade de mil feridos por dia”, afirmou.
Esta perspetiva está a levar as autoridades alemãs a reforçar planos de emergência, capacidades médicas e estruturas de apoio, antecipando um conflito prolongado e de elevada intensidade.
Incerteza política e negociações em curso
O alerta surge num contexto de crescente inquietação entre países europeus, que têm vindo a intensificar os seus preparativos militares perante a instabilidade política e económica dos últimos anos. Vários especialistas têm advertido que tanto o Reino Unido como outros Estados europeus poderão não estar suficientemente preparados para um confronto direto com a Rússia, refere o ‘The Independent’.
Apesar deste cenário, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou que continuam em curso negociações de paz lideradas pelos Estados Unidos, com o objetivo de alcançar um acordo duradouro ou, pelo menos, um cessar-fogo de longo prazo. Ainda assim, responsáveis militares como Gerald Funke insistem que a preparação para o pior cenário é inevitável face ao atual nível de ameaça percebida.














