Ajuda europeia contra Trump chega à Gronelândia… e cabe em dois autocarros

Militares desembarcaram e foram transportados em apenas dois autocarros para o quartel-general do Comando Ártico, sugerindo um total máximo de 120 homens

Francisco Laranjeira
Janeiro 15, 2026
13:10

Vários países europeus começaram a enviar tropas para a Gronelândia em resposta às ameaças do presidente americano Donald Trump. Nos últimos dois dias, as movimentações militares registaram momentos simbólicos que destacam a escala limitada da presença europeia em comparação com as forças americanas já estacionadas na ilha ártica.

Um avião de transporte militar Hércules da Dinamarca aterrou em Nuuk, a capital da Gronelândia, pouco depois do fracasso da reunião entre Copenhaga e representantes dos EUA. Segundo autoridades locais, os militares desembarcaram e foram transportados em apenas dois autocarros para o quartel-general do Comando Ártico, sugerindo um total máximo de 120 homens.

França envia tropas de montanha

Na manhã seguinte, outro Hércules aterraria na Base Aérea de Kangerlussuaq com militares franceses a bordo. Embora o número exato não tenha sido oficialmente divulgado, o jornal francês ‘Le Monde’ indicou que se tratava de um destacamento de tropas de montanha, com a missão de exploração de territórios árticos. O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou ainda que França enviará recursos adicionais nos próximos dias, afirmando que os europeus devem manter presença firme onde os seus interesses estejam ameaçados, sem escalada do conflito.

Alemanha participa com missão de reconhecimento

O Ministério da Defesa alemão confirmou o envio de 13 militares da Bundeswehr a bordo de um A400M. Segundo o ministro da Defesa, Boris Pistorius, trata-se de uma missão de reconhecimento, em colaboração com outros países europeus, para explorar contributos possíveis na vigilância marítima e aérea na região.

Pistorius sublinhou que a segurança no Atlântico Norte e no Ártico só pode ser alcançada de forma multilateral e coletiva, e que a NATO está a considerar medidas conjuntas, incluindo patrulhas e treino regular no local.

O simbólico destacamento britânico

O ministro da Defesa do Reino Unido, John Healey, anunciou o envio de apenas um único soldado britânico para integração num grupo de reconhecimento na Gronelândia. O contingente europeu, apelidado de “Resistência Ártica”, mostra-se claramente desproporcional face às forças americanas, que na Base Pituffik contam permanentemente com 600 a 800 pessoas.

Presença temporária e coordenação europeia

A missão europeia, solicitada pela Dinamarca, tem uma duração prevista até sábado e visa explorar contributos militares potenciais para reforçar a segurança regional. As autoridades dinamarquesas reforçam que a presença incluirá aeronaves, navios e soldados da Dinamarca e aliados da NATO, sob uma coordenação multilateral, conforme explicou a ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeld.

Contexto da tensão com os EUA

Donald Trump insiste que a Gronelândia é essencial para os interesses estratégicos americanos e para o sistema de defesa antimíssil denominado “Cimeira Dourada”, considerando que a NATO não garante proteção suficiente. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reiterou que, apesar da criação de um grupo de trabalho com os EUA, a ambição americana de controlar a Gronelândia permanece intacta, sublinhando a seriedade do desafio e os esforços de Copenhaga para manter a soberania da ilha.

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