AIE revê em baixa previsão de consumo de petróleo em 2022

A Agência Internacional de Energia (AIE) calcula que em 2022 será consumida uma média de 99,2 milhões de barris por dia, mais 1,8% do que em 2021 e menos uma décima do que tinha previsto em junho, foi hoje anunciado.

Executive Digest com Lusa
Julho 13, 2022
12:05

A Agência Internacional de Energia (AIE) calcula que em 2022 será consumida uma média de 99,2 milhões de barris por dia, mais 1,8% do que em 2021 e menos uma décima do que tinha previsto em junho, foi hoje anunciado.

No relatório mensal sobre o mercado petrolífero, hoje divulgado, a AIE justifica esta correção tendo em conta os últimos dados que mostram que o consumo é inferior ao esperado nas três principais regiões da OCDE (Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico).

Segundo a análise da AIE, os preços elevados estão a ter um impacto e a explicar as quedas verificadas em abril nos principais países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Isto apesar de uma recuperação em maio noutros países emergentes, e em particular na China, depois dos confinamentos nos meses anteriores devido à pandemia.

Mas isto não é suficiente para inverter a tendência geral.

Olhando para 2023, com o espetro de uma possível recessão que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já não exclui, as expectativas são também inferiores às previstas em maio pela própria AIE, com um aumento da procura de petróleo bruto que será limitado a 2,2% para 101,3 milhões de barris por dia.

Estas projeções são claramente inferiores às da OPEP, que no relatório mensal publicado na terça-feira previa um aumento de 3,47% em 2022 para 100,29 milhões de barris por dia e de 2,7% em 2023 para 103 milhões de barris por dia.

Do lado da procura, o mais marcante é que, ao contrário do que os países ocidentais estão a tentar fazer com a adoção de sanções contra Moscovo no setor energético, as exportações de petróleo bruto da Rússia estão a aguentar-se e, acima de tudo, com as receitas a cresceram significativamente.

Especificamente, as exportações russas caíram apenas 250.000 barris em junho para 7,4 milhões de barris por dia.

E como os preços do petróleo subiram, particularmente desde o início da invasão da Ucrânia no final de fevereiro, as receitas da Rússia aumentaram em 700 milhões de dólares num mês, para 20.400 milhões de dólares, mais 40% do que no ano anterior.

A “surpreendente” resistência da Rússia às sanções, que permitiram que a produção global de petróleo aumentasse 690.000 barris por dia em junho para 99,5 milhões, levou a AIE a rever em alta a previsão de abastecimento de petróleo este ano, que agora acredita que atingirá uma média de 100,1 milhões antes de atingir um recorde de 101,1 milhões em 2023.

Entre junho e dezembro, espera-se a entrada no mercado de mais 1,8 milhões de barris por dia, dos quais apenas 380.000 barris por dia serão provenientes do cartel OPEP+, que inclui a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e 10 aliados, liderados pela Rússia.

Isto significa que o resto dos produtores contribuirá com mais 1,4 milhões de barris por dia, especialmente os Estados Unidos.

A curto prazo, um dos problemas que, de acordo com a análise da AIE, poderia mais uma vez gerar tensão no mercado é a redução das margens de produção disponíveis da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos (EAU), que poderiam ser reduzidas para 2,2 milhões de barris por dia em agosto com o levantamento total dos cortes aplicados pela OPEP+.

Ao mesmo tempo, as reservas mundiais de petróleo bruto em armazém aumentaram apenas cinco milhões de barris em maio, após o aumento de 100 milhões de barris em abril, e encontram-se a um nível relativamente baixo.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.