Aeroportos e UE em ‘braço de ferro’: novas regras de controlo de fronteiras abrem guerra europeia

Novo Sistema de Entrada/Saída (EES) visa substituir os carimbos nos passaportes e reprimir as estadias ilegais no bloco

Francisco Laranjeira
Janeiro 12, 2026
11:40

A nova regra da UE que exige que uma proporção maior de passageiros passe por verificações eletrónicas de identidade nas fronteiras, a funcionar desde outubro, corre o risco de “causar desconforto significativo aos viajantes”, alertou esta segunda-feira o chefe do lobby aeroportuário do bloco europeu. No entanto, o porta-voz da Comissão indicou que o sistema “tem funcionado praticamente sem problemas”.

O novo Sistema de Entrada/Saída (EES) visa substituir os carimbos nos passaportes e reprimir as estadias ilegais no bloco. Com o novo sistema, viajantes de países terceiros, como o Reino Unido e os EUA, devem registar as impressões digitais e uma imagem facial na primeira vez que cruzam a fronteira, antes de serem apresentados a um agente alfandegário. Mas essas etapas adicionais estão a causar atrasos.

Em outubro último, relatou o jornal ‘POLITICO’, 10% dos passageiros tiveram de usar o novo sistema; a partir de sexta-feira, pelo menos 35% dos cidadãos de países não pertencentes à UE que entrarem no espaço Schengen para uma curta estadia deverão utilizá-lo. Até 10 de abril, o sistema estará totalmente em funcionamento.

A sua implementação no ano passado causou problemas em muitos aeroportos, e a indústria receia que a implementação antecipada de sexta-feira provoque uma repetição do problema.

O EES “resultou num aumento de até 70% no tempo de processamento nos controlos de fronteira dos aeroportos, com tempos de espera de até três horas nos horários de pico”, denunciou Olivier Jankovec, diretor-geral da ACI Europe, acrescentando que o novo mandato “certamente criará condições ainda piores”.

“A implementação do EES tem impacto no tempo de espera dos passageiros e aumenta a necessidade de pessoal suficiente no controlo de fronteiras”, apontou o porta-voz do Aeroporto de Bruxelas, Ihsane Chioua Lekhli. “Os tempos de espera nos horários de pico na chegada (entrada na Bélgica) podem chegar a três horas, e também observámos um aumento nos tempos de espera nas partidas.”

No entanto, a Comissão rejeitou qualquer alegação de que o EES está a causar estragos nos aeroportos da UE. “Desde o seu início, o sistema tem funcionado praticamente sem problemas, mesmo durante o período de maior movimento das férias, e quaisquer desafios iniciais típicos de novos sistemas foram resolvidos de forma eficaz. Além disso, com ele, sabemos quem entra na UE, quando e onde”, afirmou Markus Lammert, porta-voz da Comissão Europeia para os assuntos internos.

“Há crescentes problemas operacionais com a implementação do EES — um exemplo disso é a suspensão do sistema pelo Governo português durante o período de férias”, reforçou Jankovec. Recorde-se que no final de dezembro, o Executivo nacional suspendeu o Sistema Europeu de Emissões (EES) no Aeroporto Humberto Delgado de Lisboa por três meses e destacou pessoal militar para reforçar as capacidades de controlo fronteiriço.

A ADR, que opera o Aeroporto de Roma Fiumicino, também está enfrentando problemas. “As condições operacionais estão a mostrar-se extremamente complexas, com um impacto significativo nos tempos de processamento de passageiros nos controlos de fronteira”, afirmou a ADR.

Já a associação da indústria hoteleira espanhola solicitou ao Ministério do Interior do país o reforço do quadro de funcionários, alertando para “obstáculos recorrentes nos controlos de fronteira”. “É irrazoável que, após uma viagem de várias horas, os turistas tenham de esperar uma hora ou mais para entrar no país”, disse Jorge Marichal, presidente da associação.

O Ministério do Interior espanhol afirmou que o EES está a ser utilizado em todo o país, sem que “nenhuma fila ou incidente significativo tenha sido relatado até o momento”.

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