Por Nuno Vasconcelos, Diretor-Geral da HCCM Consulting
Durante anos, as equipas de tecnologia foram vistas como um custo necessário — essenciais para o funcionamento das empresas, mas raramente no centro da estratégia. Hoje, essa perceção mudou: a tecnologia é o motor da transformação, da eficiência e da inovação. Mas há um problema que todos os líderes conhecem bem — o IT continua a ser complexo, caro e lento.
É aqui que entra o low-code.
O low-code não é apenas uma nova forma de desenvolver software — é uma nova forma de gerir a mudança. Plataformas como OutSystems, Nintex ou Mendix permitem criar aplicações empresariais em semanas, não meses, e mais importante: permitem que o negócio lidere a inovação, sem estar refém de longos ciclos de desenvolvimento ou equipas técnicas sobrecarregadas.
Para um CEO, isto significa mais agilidade, menos dependência e maior retorno sobre o investimento em tecnologia.
A digitalização já não é um luxo. É uma questão de sobrevivência. Mas a maioria das organizações — especialmente as médias — continua a enfrentar barreiras à entrada: equipas curtas, orçamentos limitados, e um mercado de talento técnico cada vez mais competitivo.
O low-code vem mudar esse paradigma. Ele democratiza o acesso à tecnologia, permitindo que empresas sem departamentos de IT extensos consigam automatizar processos, integrar sistemas, criar portais internos ou melhorar a experiência dos seus clientes — tudo com menos esforço e investimento.
Não se trata de substituir developers, mas de potenciar equipas e transformar a forma como a empresa responde às suas próprias necessidades.
Acredito que estamos a entrar numa nova era — a era do “Low-Code for All”. Uma era em que a inovação já não depende apenas do tamanho da empresa ou do orçamento disponível, mas da vontade de transformar ideias em realidade. Como CEO, olho para o low-code não como uma tendência tecnológica, mas como um modelo de negócio: um caminho para tornar o IT verdadeiramente acessível, escalável e estratégico.
Quando a tecnologia deixa de ser um centro de custo e passa a ser uma ferramenta de aceleração, o impacto é direto nos resultados: estudos revelam que empresas que adotam low-code conseguem reduzir o time-to-market em 50% ou mais; conseguem libertar equipas para tarefas de maior valor; conseguem testar, corrigir e lançar produtos de forma contínua e, sobretudo, ganham autonomia sobre a sua própria transformação digital.
Em última análise, low-code é sobre liberdade — a liberdade de inovar ao ritmo do negócio.




