Escondido no Ártico, escavado no interior de uma montanha gelada, existe um lugar que muitos apelidaram de “cofre do apocalipse”. Segundo o ‘UniladTech’, trata-se de uma espécie de Arca de Noé moderna criada com um objetivo ambicioso: garantir que, aconteça o que acontecer ao planeta, a base da nossa alimentação possa sobreviver.
O Banco Mundial de Sementes de Svalbard pertence ao Governo da Noruega e está localizado em Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard. A estrutura está enterrada profundamente na encosta de uma montanha e protegida por várias portas metálicas, como se tivesse saído diretamente de um filme de ficção científica.
Lá dentro estão armazenadas 1.214.827 amostras de sementes provenientes de países de todo o mundo. E o espaço disponível é ainda maior: o cofre foi concebido para guardar milhões de variedades adicionais. A missão, explica a organização Crop Trust citada pelo ‘UniladTech’, é salvaguardar o máximo possível do material genético único das culturas agrícolas globais, protegendo-as contra extinções causadas por guerras, catástrofes naturais ou alterações climáticas.
A instalação foi inaugurada em 2008, após a destruição do banco de sementes de Aleppo durante a guerra civil síria, um episódio que demonstrou como conflitos podem pôr em risco patrimónios agrícolas essenciais. Desde então, o cofre aceita novos depósitos três vezes por ano, funcionando como uma espécie de seguro global para a agricultura.
Apesar de estar fechado ao público, o local alimenta frequentemente teorias da conspiração online. O nome “cofre do apocalipse” não ajuda a dissipar o mistério, e há quem se pergunte o que realmente está guardado por detrás das portas metálicas. Para assinalar o 15º aniversário, no entanto, foi disponibilizada uma visita virtual que permite percorrer o longo túnel de acesso até às três câmaras principais.
Segundo o ‘UniladTech’, cada câmara armazena quase 3.000 caixas de sementes, seladas em sacos herméticos de alumínio e organizadas por país. Através do tour virtual, é possível clicar em diferentes nações e conhecer melhor as suas culturas agrícolas, transformando o bunker num verdadeiro atlas da biodiversidade alimentar.
O cofre foi projetado para durar “para sempre”. As sementes estão protegidas pelo permafrost — o solo permanentemente gelado do Ártico — e mantidas a uma temperatura de -18°C. Mesmo que o sistema de refrigeração falhasse, seriam necessários centenas de anos até que a temperatura interna subisse acima de zero.
Ainda assim, nem Svalbard está totalmente imune às alterações climáticas. Em 2017, uma onda de calor provocou o derretimento do gelo em redor da entrada, causando uma inundação no túnel de acesso. As sementes, porém, não sofreram danos. Como medida de precaução adicional, as amostras são renovadas a cada poucas décadas.
Num mundo marcado por incertezas climáticas e geopolíticas, este cofre no Ártico funciona como um plano B silencioso para a humanidade. Não guarda tesouros de ouro nem segredos militares — mas algo potencialmente ainda mais valioso: a diversidade genética que sustenta a nossa alimentação.






