Dulce Mota: Gostar de fazer acontecer

Há percursos que se fazem de forma quase natural e outros que são marcados por escolhas e desafios que acabam por definir uma forma de estar na gestão.

André Manuel Mendes

Há percursos que se fazem de forma quase natural e outros que são marcados por escolhas e desafios que acabam por definir uma forma de estar na gestão. O de Dulce Mota começou cedo, aos 22 anos, quando entrou na Renault Portuguesa para criar o De­partamento de Controlo de Gestão. Desde então, passou pela banca e por diferentes contextos empresariais, mantendo uma constante: o gosto por projectos que desafiam o que existe e obrigam a pensar no que pode ser feito de forma diferente.

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Hoje, descreve-se como uma gestora racional e pragmática, orientada para resultados, mas sem abdicar de uma forte dimensão humana. É também uma líder que prefere dar espaço às equipas, confiar nas suas competências e deixá-las crescer. As decisões podem partir das suas propostas, mas nunca dispensam o seu próprio olhar crítico. Talvez por isso identifique no entusiasmo a característica que mais a acompanha: a energia e a vontade de fazer acontecer.

O futuro, para si, continua a passar pela transformação. Não apenas tecnológica ou financeira, mas por projectos capazes de criar impacto real nas pessoas, nas organizações e na sociedade. «Cada vez mais me mobilizam os projectos transformadores», afirma. É uma frase que resume bem uma carreira construída, precisamente, com essa vontade de transformar.

Como começou o seu percurso na gestão?

O início foi muito desafiante. Com apenas 22 anos fui para a Renault Portuguesa (na altura com fortes investimentos na produção de automóveis) iniciar o Departamento de Controlo de Gestão, com dependência da Regie em França.

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Tinha o sonho de trabalhar numa multinacional e rapida­mente percebi que o meu entusiasmo e motivação estavam muito relacionados com projectos mobilizadores, transfor­macionais e com incorporação de inovação.

“GOSTO DE CONHECER BEM COM QUEM TRABALHO E CONSIDERO ESSE ASPECTO UMA ENORME MAIS-VALIA PARA QUE SE ATINJAM OS OBJECTIVOS”

Estes aspectos acompanharam-me sempre ao longo da minha carreira, sobretudo no mundo Corporate e na banca, onde a liderança do ActivoBank foi definitivamente um momento de grande orgulho.

Se tivesse de se definir enquanto gestor(a), como seria? Diria que é mais sensitivo(a), estratégico(a), racional ou emocional?

Diria que sou uma mistura de racional, muito pragmática e orientada para objectivos e resultados, com uma componente humana muito acentuada, o que me leva também a ter um lado emocional forte.

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Gosto de conhecer bem com quem trabalho e considero esse aspecto uma enorme mais-valia para que se atinjam os objectivos definidos.

É de delegar, de decidir sozinho(a), ou de ouvir as equipas mas seguir a sua opção no final?

Sou de delegar, procurando dar autonomia às equipas, fazê-las crescer e confiar nas suas com­petências. Muitas das decisões que tomo são suportadas pelas análises e propostas prepara­das pelas equipas, mas procuro sempre complementá-las com uma avaliação pessoal e crítica, que pode ou não coincidir com a recomendação apresentada.

Normalmente existe sintonia, mas também aconteceram si­tuações em que foi necessário corrigir e/ou alterar em função de apports pessoais.

Que característica sente que mais o/a acompanha ao longo do percurso?

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Sem dúvida o entusiasmo e o gosto por aquilo que faço, tra­zendo muita energia e vontade de fazer acontecer.

Olhando para o futuro, sente que está mais a manter o que já existe ou a transformar a empresa?

Cada vez mais me mobilizam os projectos transformadores, seja ao nível tecnológico, ao nível humano e ao nível dos resultados, mas sobretudo que produzam impacto junto dos stakeholders, sejam accionistas, trabalhadores ou mesmo a sociedade.

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