Pás das turbinas pintadas de vermelho, amarelo e preto? A solução que pode salvar milhares de aves nos parques eólicos

Um novo estudo científico sugere agora que uma simples alteração visual nas pás das turbinas poderá ajudar a reduzir significativamente as colisões fatais de aves.

Pedro Zagacho Gonçalves

A energia eólica continua a afirmar-se como uma das principais apostas mundiais na transição energética, mas o crescimento acelerado desta tecnologia tem trazido também preocupações ambientais, sobretudo relacionadas com o impacto dos aerogeradores na avifauna. Um novo estudo científico sugere agora que uma simples alteração visual nas pás das turbinas poderá ajudar a reduzir significativamente as colisões fatais de aves.

O problema não é novo. Os aerogeradores, que podem atingir entre 150 e 250 metros de altura, representam um risco para várias espécies devido à velocidade de rotação das pás e ao facto de estas serem, normalmente, brancas, tornando-se difíceis de distinguir em determinadas condições atmosféricas e luminosas. Em zonas de migração ou habitats sensíveis, as colisões de aves com turbinas eólicas têm sido apontadas como um dos principais desafios ambientais associados à expansão desta fonte de energia renovável.

Foi precisamente para tentar responder a esse problema que um grupo de investigadores desenvolveu um estudo publicado na revista científica Behavioral Ecology, explorando uma abordagem biomimética — ou seja, inspirada em mecanismos existentes na natureza. A ideia partiu da observação de espécies venenosas ou perigosas que utilizam cores fortes e contrastantes como sinal de alerta para predadores.

Os cientistas decidiram então testar se o mesmo princípio poderia ser aplicado às turbinas eólicas. Para isso, criaram modelos experimentais com diferentes padrões de cor nas pás: um modelo totalmente branco, outro com pás pretas, um terceiro com duas faixas vermelhas e, por fim, uma combinação biomimética em preto, amarelo e vermelho.

Segundo os resultados do estudo, as aves demonstraram maior hesitação em aproximar-se dos modelos com a combinação de cores inspirada nos sinais de alerta naturais. Em vários casos, os animais evitaram completamente interagir com essas estruturas.

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A investigadora Johanna Mappes, da Universidade de Helsínquia, explicou que a reação pode estar relacionada com mecanismos instintivos de sobrevivência. “Muitas vezes, a tendência para evitar certas combinações de cores é genética: as cores são evitadas mesmo sem experiência prévia”, afirmou.

Os investigadores consideram que pintar as pás das turbinas com estas cores poderá tornar os aerogeradores mais visíveis para as aves e reduzir o número de colisões. Ainda assim, sublinham que esta solução não deve ser encarada como uma medida única ou definitiva.

O estudo defende que a redução da mortalidade de aves nos parques eólicos exige uma combinação de estratégias complementares. Entre elas estão a instalação dos parques longe de rotas migratórias importantes, a utilização de sistemas automáticos de deteção de aves e tecnologias capazes de parar temporariamente as turbinas quando animais se aproximam.

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A investigação surge numa altura em que vários países aceleram o investimento em energias renováveis e procuram formas de compatibilizar a descarbonização da economia com a proteção da biodiversidade. A energia eólica continua a ser considerada essencial para reduzir emissões de gases com efeito de estufa, mas os impactos ecológicos associados às infraestruturas permanecem sob crescente escrutínio científico e ambiental.

Os autores do estudo acreditam que soluções simples, como alterações no design visual das turbinas, poderão desempenhar um papel relevante na mitigação destes impactos, sobretudo em regiões ambientalmente sensíveis ou atravessadas por rotas migratórias de aves.

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