A Rússia está a atravessar uma quebra acentuada na produção e refinação de petróleo, com os níveis a atingirem o valor mais baixo dos últimos 16 anos, num contexto de crescente pressão sobre o setor energético e de perturbações significativas na capacidade industrial do país.
A situação surge num momento em que Moscovo se prepara para adotar uma medida de emergência no mercado interno: a proibição da exportação de combustível de aviação durante um período que poderá variar entre um e dois meses, segundo a agência Interfax. A decisão surge após vários meses de instabilidade na produção e de sucessivos danos em infraestruturas críticas do setor.
Os dados mais recentes indicam que, em abril, a refinação de petróleo na Rússia caiu para 4,7 milhões de barris por dia, o nível mais baixo desde dezembro de 2009. Há apenas sete semanas, o ministro da Energia russo assegurava que não seriam necessárias novas restrições às exportações, defendendo que as reservas internas seriam suficientes, mas a evolução do mercado contradisse essa avaliação.
A Agência Internacional de Energia (AIE) reviu em baixa as previsões para 2026, reduzindo em 150 mil barris por dia a produção esperada, agora estimada em cerca de 5 milhões de barris diários. A agência associa esta quebra ao impacto crescente dos ataques ucranianos contra infraestruturas energéticas russas, que têm afetado várias refinarias estratégicas.
Entre os casos mais significativos estão os ataques à refinaria de Tuapse, atingida três vezes em apenas 12 dias durante abril e novamente incendiada a 1 de maio, bem como o ataque de 15 de maio à refinaria de Ryazan, que terá comprometido unidades essenciais do processo de produção. A AIE refere ainda interrupções em instalações de grande dimensão como Perm, Yaroslavl, Kirishi e novamente Tuapse, várias delas essenciais para exportações através dos portos do Báltico e do Mar Negro.
O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, reconheceu a necessidade de acompanhamento permanente da situação. “É necessário continuar a monitorizar constantemente a situação no mercado interno de derivados de petróleo, a fim de garantir a coordenação das ações entre os organismos federais e as empresas do setor, bem como, se necessário, elaborar atempadamente medidas de resposta adicionais”, afirmou.
A pressão sobre o sistema energético russo tem tido impacto também nas exportações. A 25 de março, a Reuters estimava que cerca de 40% da capacidade de exportação de petróleo da Rússia — aproximadamente dois milhões de barris por dia — estaria temporariamente fora de operação, num episódio descrito como uma das maiores disrupções recentes no setor energético do país. Apesar de alguma recuperação parcial nos portos e no transporte marítimo, o sistema de exportação ainda não terá regressado à normalidade.
No plano interno, os efeitos da crise também se fazem sentir. No mesmo dia em que Alexander Novak reuniu com representantes do setor petrolífero, uma empresa energética do Extremo Oriente russo anunciou cortes significativos no fornecimento de eletricidade e água quente na região de Primorsky Krai, devido a dívidas acumuladas de serviços públicos que ascendem a 5,8 mil milhões de rublos (cerca de 80 milhões de euros).




