Igrejas vandalizadas, padres agredidos e fiéis atacados: Europa enfrenta aumento de crimes anticristãos

França, Reino Unido, Alemanha e Espanha surgem entre os países mais afetados

Francisco Laranjeira

Os ataques contra cristãos e locais de culto cristãos continuam a aumentar na Europa, segundo dados citados pelo ‘ABC’ a partir do relatório anual de 2025 do Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa (OIDAC). A organização, sediada em Viena, registou 2.211 crimes de ódio anticristãos em 2024, incluindo 274 ataques contra indivíduos, num fenómeno que descreve como um “aumento contínuo” da hostilidade social e dos crimes de ódio.

França, Reino Unido, Alemanha e Espanha surgem entre os países mais afetados. O caso recente de Hanau, no estado alemão de Hesse, voltou a expor a preocupação das comunidades cristãs: durante uma missa dominical na Igreja do Espírito Santo, indivíduos desconhecidos dispararam bolas de aço contra o edifício com armas de ar comprimido, partindo janelas enquanto cerca de 200 fiéis estavam no interior.

O incidente está a ser investigado como dano criminal, sem que as autoridades alemãs tenham identificado, até agora, motivação religiosa. Para o OIDAC, porém, este tipo de caso ajuda a explicar um problema maior: muitos ataques contra igrejas, padres ou símbolos cristãos acabam por não entrar nas estatísticas como crimes de ódio, mesmo quando as comunidades afetadas os interpretam como expressão de hostilidade religiosa.

A diretora do Observatório, Anja Tang, critica aquilo que considera ser uma diferença de sensibilidade das autoridades. “Se o ataque ocorre numa igreja, a polícia muitas vezes nem sequer o considera um caso para as estatísticas de crimes de ódio. Mas quando uma sinagoga ou mesquita é atacada, o nível de sensibilidade é diferente”, afirmou, citada pelo ‘ABC’.

Os dados preliminares de 2026 apontam para continuidade da tendência. Em abril, o OIDAC registou ataques contra indivíduos em vários países europeus: dez em França, sete na Alemanha, sete em Itália, cinco em Espanha, dois na Polónia e casos isolados na Croácia, Irlanda, Países Baixos, Reino Unido e Suíça.

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Em Espanha, foram registados cinco crimes de ódio anticristãos apenas em abril, incluindo vandalismo, profanação e três episódios de violência física. Entre os casos destacados pelo Observatório estão um ataque com machado em Montefrío, uma agressão a uma mulher cristã em Barcelona, a interrupção de uma procissão da Semana Santa em Oviedo, a mutilação de uma estátua de Cristo num cemitério em Soria e a destruição da cruz histórica no topo do Monte Aneto.

A situação espanhola é particularmente difícil de medir, porque o Governo não regista oficialmente crimes de ódio anticristãos enquanto categoria própria. Ainda assim, o Observatório Espanhol para a Liberdade Religiosa aponta para uma duplicação dos ataques violentos contra cristãos e para um aumento de 12% no vandalismo contra igrejas e símbolos religiosos.

Na Alemanha, o vandalismo contra igrejas também aumentou de forma acentuada. Segundo o Departamento Federal de Polícia Criminal, os casos mais do que duplicaram entre 2022 e 2023 e voltaram a subir 22% entre 2023 e 2024, levando a Conferência Episcopal Alemã a declarar que “todos os tabus em torno do vandalismo em igrejas foram quebrados”.

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O relatório sublinha ainda a subnotificação destes crimes. Na Polónia, quase metade dos padres terá sofrido algum tipo de agressão, mas mais de 80% admitiram não ter apresentado queixa à polícia. Em Espanha, um inquérito feito em fevereiro de 2025 a 117 padres católicos indicou que 67% tinham sido alvo de insultos, zombaria ou comentários ofensivos, enquanto 48% relataram atos de vandalismo contra propriedades da Igreja.

O OIDAC identifica vários fatores que ajudam a explicar este fenómeno, incluindo anticlericalismo, intolerância religiosa, extremismo religioso, representações negativas nos media e tensões políticas ou sociais mais amplas. Nos casos de 2024 em que foi possível determinar motivações ou afiliações dos autores, a organização apontou ideologia islâmica radical, ideologia de esquerda radical, ideologia de direita radical, outros motivos políticos e incidentes com símbolos ou referências satânicas.

Apesar de a liberdade religiosa estar protegida pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos, o Observatório considera que a Europa ainda não está a responder de forma adequada ao aumento da violência e da discriminação contra cristãos e outros crentes. O relatório aponta ainda restrições à oração pública, processos judiciais por expressão de crenças religiosas, limitações à objeção de consciência e conflitos em torno da autonomia religiosa e dos direitos parentais.

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