Covid-19: Subsídios do Estado já chegam a mais de sete milhões de portugueses

Devido à pandemia do novo coronavírus, os subsídios de apoio fornecidos pelo Estado aumentaram dos 5,6 milhões registados em Fevereiro, para os 7,1 milhões verificados agora em Março deste ano.

Simone Silva

Devido à pandemia do novo coronavírus, os subsídios de apoio fornecidos pelo Estado aumentaram dos 5,6 milhões registados em Fevereiro, para os 7,1 milhões verificados agora em Março deste ano. A crise fez com que pelo menos dois terços dos portugueses precisassem de apoios estatais, situação em que não se encontravam antes da epidemia, de acordo com o ‘Jornal de Notícias’ (JN).

O economista José Reis considera que estes números são «assustadores» e que não serão sustentáveis durante um longo período de tempo. Contudo o especialista sublinha também que os apoios não podem ser interrompidos subitamente, correndo o risco de «não terem servido de tampão à miséria que se segue, se as famílias não recuperarem rendimento entretanto», afirma citado pelo JN.

Mesmo sem qualquer influência da pandemia, o primeiro trimestre de cada ano é normalmente dos mais fracos economicamente, uma vez que depois de um reforço económico em Dezembro, com o aumento do turismo no Natal e na passagem de ano, em Janeiro aumentam as insolvências, o desemprego e consequentemente os pedidos de apoio ao Estado.

Ainda no mês de Fevereiro se verificou essa tendência, com o processamento de quase 178 mil prestações de desemprego e 1629 trabalhadores em regime de lay-off. Para além dos mais de dois milhões de pensionistas do Estado (outros 479 mil da Caixa Geral de Aposentações), juntaram-se ainda centenas de milhares de prestações pagas pela Segurança Social a pessoas em situações de excepção, atingindo perto de 5,6 milhões de prestações.

Perante este cenário, José Reis indica que «Chegámos a Março e ficámos com valores de prestações completamente inusitados, quase tão assustadores como o coronavírus».

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«Tudo o que estava protegido pelo trabalho ficou desprotegido. E o único instrumento que temos, hoje, é o Estado. Não são as empresas, nem o capital, nem a banca, nem os “offshores”. E isso foi a grande novidade: andámos anos a tecer loas ao capitalismo e, afinal, quem não falhou foi o Estado», sublinhou ainda o especialista.

Em Março os subsídios de ajuda do Estado registaram efectivamente um aumento súbito substancial: mais de sete milhões de portugueses passaram a receber algum tipo de prestação da Segurança Social.

«Trata-se de valores que nunca imaginámos, nem entravam nos cálculos. Vai ter de ser o Orçamento do Estado a transferir verbas para a Segurança Social. E vamos ter de encontrar outra forma de financiar o Estado», explica José Reis ao JN.

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O economista sugere que numa outra altura, «podíamos emitir moeda para financiar o Estado, como fez agora o Banco de Inglaterra», Contudo sublinha que na Zona Euro, «a nossa melhor opção é que o Banco Central Europeu emita dívida, de preferência perpétua, em que nos limitamos a pagar os juros anualmente»..

«Em estado de emergência, foi limitada a circulação de pessoas e até de mercadorias, mas não a de capitais. O Governo pode (e deve) ordenar às empresas portuguesas que repatriem o dinheiro que mandaram para “offshores”. São centenas de milhares de milhões de euros que nos escapam», sublinha o especialista. Até porque os apoios criados para as famílias nesta fase «não devem ser retirados antes de as pessoas terem a vida a funcionar, caso contrário não serviram para nada, a não ser adiar a miséria», refere.

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