Em Portugal, os epidemiologistas elegem as consultas por causa respiratória, evolução nos países parecidos, das compras às deslocações, novos casos sintomáticos, entrada hospitalar e internamentos, e distribuição por idades como os principais indicadores de alerta que vão seguir, a fim de determinar focos de ressurgimento ou novos casos por pessoas que ainda não foram testadas.
Para os especialistas, noticia o ‘Jornal de Negócios, importa ainda acompanhar a evolução em particular nas crianças, a fim de aferir até que ponto continuarão a ser os menos afetados.
Consultas por causa respiratória
A evolução dos pedidos de consultas em unidades de cuidados de saúde primários relacionadas com sintomas de doença respiratória deve ser monitorizada, comparado-se a afluência com as mesmas semanas do ano anterior. Manuel Carmo Gomes, em declarações ao ‘Negócios’, diz que este tipo de consultas costuma descer na primavera, pelo que se houver um ressurgimento em maio ou junho “quer dizer que estão a aparecer pessoas provavelmente infetadas com covid, que ainda nem sequer foram testadas”.
Evolução nos países parecidos
As atenções estão concentradas na Áustria, República Checa, Noruega e Dinamarca, que têm uma situação comparável à portuguesa e que já começaram a aliviar as medidas em meados de abril. Mantém-se estáveis e por isso são “uma espécie de candeia que vai à frente a alumiar o nosso caminho. Se virmos que as coisas começam a sair do controlo nesses países, vamos tentar perceber porquê”, justifica o professor universitário.
Das compras às deslocações
Várias plataformas digitais, da gigante Google à consultora portuguesa PSE, disponibilizam dados sobre a evolução da mobilidade da população. Teresa Leão refere que “se houver um grande aumento poderá dizer que talvez estejamos a abrir muito rapidamente e podemos estar em risco de ter mais contacto social e mais doença a ser disseminada na população”. Os dados sobre as vendas no pequeno comércio são outro indicador que poderá dar pistas relevantes, segundo esta investigadora.
Novos casos sintomáticos
A incidência da doença é o primeiro critério a ser olhado. Interessa olhar para os novos casos, não em termos absolutos, mas como tendência, para acompanhar um possível disparo, já que esta doença cresce exponencialmente. Para aferir a força de transmissão é relevante olhar para o R0, que é o número de novas infeções a que um infetado dá origem, e que é estimado para o país e por região. Deve estar abaixo de 1 e “é sinal de alarme se estiver a ir para 1,1 ou para 1,2 ou para 1,3”, diz Manuel Gomes.
Entrada hospitalar e internamentos
A quantidade de pessoas com covid-19 que têm de ir para os hospitais e o número de internamentos, em particular nas unidades de cuidados intensivos, são outro indicador crítico para os especialistas, já que determina a lotação e a capacidade de resposta dos serviços de saúde em termos de equipamento e recursos humanos. Nas simulações feitas para o Governo é apontado um patamar acumulado de 4.000 doentes internados numa segunda vaga com dois meses, a partir do qual surgem problemas.
Distribuição por idades
A incidência da doença por idades é outro aspeto na mira para perceber se se mantém o padrão de os mais novos serem pouco afetados. “Se houver uma mudança pode ser sinal de qualquer coisa anormal e temos de perceber”, detalha Manuel Carmo Gomes. Em particular, vão estar atentos aos grupos etários mais ativos e expostos nesta retoma para perceber se há alterações na distribuição dos casos de pessoas com 40 e 50 anos. Se aumentar a mortalidade nesses grupos é um bocado perigoso”, relata.







