Covid-19: Máscaras ou viseiras? Especialistas apostam na primeira opção

São vários os especialistas que acreditam que a máscara é uma opção mais viável, porque também acaba por proteger os outros. A viseira é apenas uma ferramenta complementar.

Simone Silva

Seguindo as novas regras impostas pela passagem do Estado de Emergência ao Estado de Calamidade, sempre que se deslocar a um estabelecimento comercial ou circular em transportes públicos, deve fazê-lo utilizando para o efeito uma uma protecção facial, que pode ser uma máscara ou viseira. Será que uma das opções é melhor do que a outra?

São vários os especialistas que acreditam que a máscara é uma opção mais viável, porque também acaba por proteger os outros. A viseira é apenas uma ferramenta complementar, segundo o ‘Público’.

Ainda que ambos protejam, a protecção é feita em graus diferentes, isto porque enquanto a máscara protege o nariz e a boca, a viseira protege os olhos, acompanhando a cara até ao pescoço. Esta última serve de barreira no contacto com os outros, contudo é aberta em baixo, permitindo que as gotículas expelidas ao falar, caiam no chão, podendo até propagar-se no ar.

Carlos Palos, coordenador da comissão de Controlo de Infecções e Resistência aos Antimicrobianos da Luz Saúde, refere que «Atendendo a que o vírus se transmite essencialmente por via respiratória, a máscara é efectivamente o equipamento de protecção mais adequado», uma vez que «permite uma protecção bidireccional, porque protege os outros e o próprio», afirma o responsável citado pelo ‘Público’.

Relativamente à utilização da viseira, Carlos Palos defende que a mesma funciona como um «complemento adicional porque protege essencialmente os olhos de gotículas que venham de frente, mas não protege de aerossóis que possam vir de baixo ou dos lados».

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Partindo da protecção, «É mais correcto a máscara do que a viseira, mas esta é uma alternativa razoável», sublinha o especialista, dizendo que «vamos entrar num mundo novo. Os transportes são críticos», refere alertando também para que a população «não se esqueça dos cuidados a ter nos momentos de socialização como as refeições, como não se sentarem uns frente aos outros e ter lugares alternados». O responsável recomenda também a utilização de um saco para guardar a máscara quando é retirada.

O pneumologista Filipe Froes é da mesma opinião, defendendo que «a prioridade deve ser o uso de máscara, porque tem maior impacto na redução de transmissão de gotículas. A viseira não cobre a boca e há passagem de ar eventualmente contaminado por baixo da viseira. A máscara cobre a totalidade da boca e do nariz e é mais efectiva na redução da transmissão». Contudo sublinha que «o nível de protecção das máscaras e viseiras não é comparável».

«A viseira é mais para protecção pessoal e a máscara combina alguma protecção pessoal com a dos outros. A viseira protege os olhos, de levar as mãos à cara. A máscara serve para filtrar as secreções emitidas pelas pessoas. A optar, deve ser escolhida a máscara. A viseira deve ser complementar.», explica o especialista justificando o porquê de preferir máscaras às viseiras.

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Por sua vez, Ricardo Mexia, presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública, defende que «no contexto comunitário o que faz sentido são as máscaras. Se alguém quiser adicionalmente usar a viseira, nada contra», afirma sublinhando ainda que «Não faz sentido usar viseira sem máscara, porque a protecção que uma confere não tem a ver com a que a outra confere. O que a máscara protege, a viseira completa», afirma citado pelo ‘Público’.

Contudo, o responsável explica que apesar de não ser contra as viseiras, considera que «não é correcto propor viseiras em alternativa às mascaras. A viseira é aberta por baixo e para o próprio pode haver protecção», enquanto que a máscara protege os outros».

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