Lucros das gigantes tecnológicas batem os 90 mil milhões. Mas há quem registe prejuízos

Facebook, Amazon, Alphabet, Twitter continuam a atingir lucros astronómicos mas os resultados trimestrais já acusam os efeitos da pandemia da covid-19 e deicam antever alguma apreensão quanto ao futuro.

Sónia Bexiga

Sempre que se aproxima a altura de serem revelados os números das gigantes tecnológicas, os mercados agitam-se, e nestas circunstâncias extraordinárias devido ao devastador impacto da pandemia da covid-19, disparam as expectativas sobre a forma como este poderoso setor está a reagir à crise.

A gigante Facebook, liderada por Mark Zuckerberg, anunciou que duplicou o lucro no primeiro trimestre deste ano, para 4.902 milhões de dólares (4.507 milhões de euros), face a igual período do ano anterior.

No mesmo trimestre do ano passado, o resultado líquido da Facebook foi de 2.429 milhões de dólares, se bem que este período não ocorreu no contexto da pandemia da covid-19.

A faturação ascendeu a 17.737 milhões de dólares até março, o que representou um acréscimo de 18% na comparação com os 15.055 milhões de dólares contabilizados no primeiro trimestre de 2019. O dividendo distribuído pelos acionistas foi de 1,71 dólares por ação, contra 0,85 dólares por ação em igual período do ano passado.

Apesar dos bons resultados apresentados, a Facebook advertiu para o facto de terem sido tidos em conta as últimas três semanas do mês de março em que a pandemia se fez sentir no negócio, o que levou à queda substancial da procura por publicidade digital e em que o preço dos anúncios também caiu.

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A Microsoft também fechou o trimestre com lucros a crescer. A gigante de Redmond obteve uma receita de 35 mil milhões de dólares, cerca de 32 mil milhões de euros. No 1.º trimestre de 2019, a empresa tinha alcançado 30,6 mil milhões de dólares, ou seja, cerca de 28 mil milhões de euros.

Ao nível do valor do lucro líquido, a empresa conseguiu 10,8 mil milhões de dólares (cerca de 10 mil milhões de euros), e o lucro por ação atingiu os 1,4 dólares, ou seja, 1,30 €. No mesmo período de 2019, a Microsoft apresentava um lucro líquido de 8,8 mil milhões de dólares (cerca de 8 mil milhões de euros) e por ação o lucro assentava nos 1,14 dólares, cerca de 1,05 euros.

A receita e os lucros mostram valores mais animadores face ao mesmo período do ano passado. Os números são ainda mais altos do que os analistas estimavam, ou seja, apontavam para uma receita de 33,7 mil milhões de dólares, correspondente a 31 mil milhões de euros e lucros por ação na ordem dos 1,26 dólares, cerca de 1,16 euros.

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Apesar dos valores positivos, a empresa acredita que estes resultados ainda poderiam ser ligeiramente melhores, não fosse a crise provocada pelo coronavírus que afetou o desempenho financeiro, mesmo que de uma forma pouco significativa.

A Amazon, no primeiro trimestre deste ano, superou, tranquilamente, as estimativas dos analistas em relação à receita e lucros. Os resultados mostram que atingiu 51,04 mil milhões de dólares (46 mil milhões de euros) em receita, ficando acima das expectativas dos analistas. Já o lucro por ação atingiu 3,27 dólares, também acima da previsão de 1,26 dólares.

O serviço de nuvem da retalhista, o Amazon Web Services, arrecadou 5,44 mill milhões de dólares, tendo também ultrapassando o valor previsto de 5,25 mil milhões. As vendas do serviço crescem cerca de 49% a cada ano e suas operações já geraram 1,4 mil milhões em receitas.

Grande parte da receita da Amazon também vem da publicidade, que apresentou uma subida de 139% em relação ao ano passado, ao registar 2,03 mil milhões em vendas. Já em relação aos serviços por assinatura, como o Prime, o aumento foi de 60%, chegando aos 3,1 mil milhões. Na semana passada, a companhia anunciou que o Prime contava com mais de 100 milhões de assinantes em todo o mundo.

Também a dona da Google continua em alta, em tempos de pandemia. O lucro da Alphabet cresceu 2,7% no primeiro trimestre deste ano, para 6.836 milhões de dólares (6.313 milhões de euros), face a igual período do ano anterior, revelou hoje a multinacional norte-americana.

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O crescimento do resultado líquido deu-se em plena pandemia da covid-19, esclarece a Alphabet em comunicado, lembrando que até março passado, o gigante norte-americano com sede em Mountain View, no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, contabilizou receitas de 41.159 milhões de dólares, mais 13,26% na comparação com o ano fiscal anterior.

No período em análise, os acionistas da Alphabet embolsaram 9,96 dólares por ação (9,2 euros), valor acima dos 9,58 dólares contabilizados no período homólogo do ano passado.

Em termos de receitas, os segmentos de negócio que mais cresceram foram a plataforma de vídeo YouTube e os serviços de computação em nuvem, o ‘Google Cloud’, o que se deveu, em parte, ao confinamento decretado em diversos países por todo o mundo.

O lado negro da força

No sentido oposto, a rede social Twitter informou que durante o primeiro trimestre de 2020 registou perdas de oito milhões de dólares, em comparação com os 191 milhões de dólares de lucros registados no mesmo período de 2019.

O prejuízo, equivalente a 7,31 milhões de euros, foi atribuído pela empresa a um abrandamento das receitas maior do que o esperado em consequência da pandemia de covid-19.

A tecnológica com sede em São Francisco reportou em comunicado uma faturação de 808 milhões de dólares, face aos 787 milhões no período homólogo de 2019, um aumento de quase 2,7%, mas as despesas superaram o aumento da receita.

Apesar do impacto do coronavírus, a empresa aumentou a faturação no campo da publicidade, com uma receita de 682 milhões de dólares, três milhões acima do registado há um ano. Os resultados foram similares às expectativas dos investidores, que eram pessimistas e as ações da tecnológica seguiam em queda na bolsa nova-iorquina.

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