O presidente executivo (CEO) da EDP, Miguel Stilwell d’Andrade, disse estar “totalmente tranquilo”, após a abertura de um inquérito à empresa pela autoridade espanhola da concorrência por causa do apagão de 28 de abril de 2025.
“Acho que vão varrer tudo o que fossem potenciais casos nos últimos dois anos”, disse, em declarações à Lusa, apontando que a espanhola Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) está a “disparar dezenas e dezenas de processos a várias empresas no setor”.
“Nós estamos totalmente tranquilos relativamente a esse tema, mas teremos a oportunidade de discutir isso com as autoridades competentes”, destacou.
Fonte oficial da EDP já tinha confirmado à Lusa que a elétrica nacional recebeu a notificação da CNMC relativa à abertura de um processo sancionatório à central térmica de Soto de Ribera, mas adiantou que a empresa não associa a “proposta de processo ao incidente ocorrido a 28 de abril”, uma vez que “esta central nem sequer estava programada para funcionar à hora do apagão”.
No total, são já 63 os processos abertos pela CNMC que poderão resultar em sanções.
A central térmica de Soto de Ribera, localizada nas Astúrias, está identificada como “uma instalação de reserva para o sistema elétrico”.
A CNMC iniciou estas oito “graves investigações” contra empresas como a Naturgy, EDP e Iberdrola a 23 de abril, altura em que também abriu outros 35 processos, anunciados há já alguns dias.
Entre as entidades investigadas pela CNMC de Espanha estão o operador do sistema elétrico espanhol Red Eléctrica, as empresas de energia Iberdrola, Endesa, Naturgy, Repsol, TotalEnergies, Engie, ContourGlobal e a associação nuclear Ascó-Vandellos (que integra a Endesa e Iberdrola).
As averiguações baseiam-se em artigos da Lei do Setor Elétrico referentes ao incumprimento de instruções emitidas pelo operador do sistema, normas de segurança do serviço ou obrigações de manutenção das instalações que afetem a disponibilidade.
Em março, peritos europeus concluíram que o incidente resultou de múltiplos fatores técnicos, sem atribuir responsabilidades legais, remetendo essa avaliação para as autoridades nacionais.
ALN (CT/MP/SCR) // JNM










