Quase metade da população portuguesa diz-se psicologicamente afectada pela Covid-19, revela estudo

Um estudo do Instituto de Psicologia Clínica e Forense em colaboração com outras entidades, citado pelo “Expresso”, revela que quase metade dos inquiridos (cerca de 10 mil), com uma média de idades de 31,3 anos e na sua maioria mulheres, classificou o impacto psicológico da pandemia de Covid-19 como «moderado a severo».

Executive Digest

Um estudo do Instituto de Psicologia Clínica e Forense em colaboração com outras entidades, citado pelo “Expresso”, revela que quase metade dos inquiridos (cerca de 10 mil), com uma média de idades de 31,3 anos e na sua maioria mulheres, classificou o impacto psicológico da pandemia de Covid-19 como «moderado a severo».

Sofia Brissos, psiquiatria no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, e uma das autoras do estudo, admitiu ao “Expresso” que não esperava estes resultados. Na China, por exemplo, os «participantes que relataram um impacto psicológico moderado a severo» foi de «apenas 7,6%».

A responsável explicou ao semanário que foram comparados períodos iniciais da pandemia em ambos os países e que a diferença «poderá residir no facto de, em Portugal, quando surgiram as primeiras mortes, já haver mais informação sobre o surto e a noção de que a situação era grave e de proporções inéditas». Já na China «poderá ter havido a percepção, numa fase inicial, de que se tratava de uma situação circunscrita».

Esse é também o entendimento dos autores chineses, segundo os quais «umas das razões possíveis é que, na altura, o surto ainda não era considerado grave e os participantes [na China] não estavam tão bem informados», pode ler-se no resumo do estudo desenvolvido em colaboração com o Centro de Investigação em Psicologia da Universidade Autónoma de Lisboa e o Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro, citado pelo “Expresso”.

O jornal adianta, ainda, que, no total, 11,7%, 16,9% e 5,6% dos inquiridos relataram ter sintomas «moderados a graves» de depressão, ansiedade e stress, respectivamente. Contudo, a «grande maioria» diz que «não tem sintomas de quadros clínicos graves», ou seja, «não tem uma doença psiquiátrica ou uma perturbação psicológica, nem precisa de ser medicada», explicou Sofia Brissos.

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Ainda assim, «será necessário algum tipo de intervenção ou a adopção de medidas ou cuidados específicos», disse, sublinhando o papel que a comunicação social. «Informação rigorosa é importante, assim como é importante dar informações sobre como actuar numa perspectiva tranquilizadora da população», defendeu.

Em Portugal há já 25.045 casos de infecção pelo novo coronavírus e 989 vítimas mortais, de acordo com o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta quinta-feira, 30 de Abril.

Portugal cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de Março. O Governo anunciou a proibição de deslocações entre concelhos no fim de semana prolongado de 1 a 3 de Maio.

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O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, já provocou mais de 215 mil mortos e infectou mais de três milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de 840 mil doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de surgir na China, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

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