Alojamento turístico sofre queda abrupta de 60% nas dormidas em março

79,2% dos estabelecimentos de alojamento turístico assinalaram que a pandemia da covid-19 motivou o cancelamento de reservas agendadas para os meses de março a agosto de 2020.

Sónia Bexiga

De acordo com a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), em março de 2020 o setor do alojamento turístico deverá ter registado 701,0 mil hóspedes e 1,9 milhões de dormidas, o que corresponde a quedas de 49,4% e 58,5%, respetivamente, sendo que em fevereiro ainda registou subidas de 15,3% e 14,7% pela mesma ordem.

Os números, divulgados esta quinta-feira, indicam ainda que as dormidas de portugueses terão diminuído 56,9% (mais 26,4% em fevereiro) e as de não residentes terão decrescido 59,2% (mais 9,5% em fevereiro).

Através de um questionário específico adicional que, em abril, o INE promoveu e que obteve respostas de cerca de 4 mil estabelecimentos, sobre as perspetivas para a atividade turística nos próximos meses até agosto.

79,2% dos estabelecimentos de alojamento turístico assinalaram que a pandemia da covid-19 motivou o cancelamento de reservas agendadas para os meses de março a agosto de 2020 (estes estabelecimentos representam 91,3% da capacidade da oferta dos estabelecimentos que responderam).

Contudo, o INE ressalva que para além dos grandes condicionalismos que a atual pandemia originou na atividade turística, estes resultados foram também influenciados pelo efeito do período de Carnaval que, este ano, ocorreu em fevereiro e, no ano anterior, ocorreu em março.

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Quanto aos principais mercados emissores, a totalidade registou decréscimos em março. As maiores diminuições verificaram-se nos mercados chinês que caiu 78,8%), italiano (menos 75,8%), norte-americano (68,5%) e espanhol (menos 66,1%). O mercado canadiano foi, entre os principais mercados emissores, o que registou menor decréscimo, recuando 37,8%.

Impacto “devastador” do coronavírus

O INE colocou aos estabelecimentos de alojamento turístico três questões visando avaliar o impacto da atual pandemia
da covid-19 na sua atividade, nomeadamente quanto às reservas e cancelamentos no período de março a agosto de 2020, por principais mercados, tendo obtido cerca de 4 mil respostas válidas.

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De entre as principais conclusões, salientam-se os cancelamentos de reservas na maioria dos estabelecimentos. Em Portugal, 79,2% dos estabelecimentos de alojamento turístico assinalaram que a pandemia motivou o
cancelamento de reservas agendadas para os meses de março a agosto de 2020 (estes estabelecimentos representam
91,3% da capacidade da oferta dos estabelecimentos respondentes).

A RA Madeira foi a região que apresentou maior peso de estabelecimentos com cancelamentos de reservas (90,6% dos
estabelecimentos e 98,6% da capacidade oferecida), seguindo-se a RA Açores (89,9% e 96,8%, respetivamente), a AM
Lisboa (85,0% e 94,4%, pela mesma ordem) e o Algarve (82,2% e 92,7%, respetivamente).

No segmento da hotelaria, os estabelecimentos com cancelamentos de reservas devido à pandemia representaram 92,5% do total (95,2% da capacidade oferecida).

Nos estabelecimentos de alojamento local, estes estabelecimentos corresponderam a 75,8% do total (79,5% da capacidade oferecida) e no turismo no espaço rural e de habitação representavam 68,8% do total (74,1% da capacidade).

O cancelamento da totalidade das reservas teve grande expressão em abril. Segundo apurou o INE, a proporção de estabelecimentos reportando cancelamentos parciais ou totais de reservas diminui nos meses em que tradicionalmente a solicitação de serviços de alojamento turístico é mais intensa. Ainda assim, de acordo com esta informação recolhida em abril, cerca de 73,9% reportaram cancelamentos para junho, 62,9% para julho e 55,9% para agosto.

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Quando questionados sobre os principais mercados com cancelamentos de reservas (podendo cada estabelecimento
identificar até 3 mercados), o mercado nacional foi o mais referido, tendo sido identificado por 61,2% dos estabelecimentos
de alojamento turístico.

O mercado espanhol foi o segundo mais referido (51,3% dos estabelecimentos) seguindo-se o mercado francês (32,0% dos
estabelecimentos), alemão (26,3% dos estabelecimentos) e britânico (22,9% dos estabelecimentos).

Na hotelaria, o mercado nacional foi mencionado como um dos três mercados com maior número de cancelamentos por
67,1% dos estabelecimentos, seguindo-se o mercado espanhol (61,4%).

Já nos estabelecimentos de alojamento local, o mercado espanhol foi identificado por 51,6% dos estabelecimentos, seguindo-se o mercado nacional (48,2%).

Nos estabelecimentos de turismo no espaço rural e de habitação, o mercado nacional foi mencionado por 75,5% dos
estabelecimentos.

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