A melhoria na qualidade do ar durante o mês passado devido ao bloqueio do novo coronavírus, fez com que 11 mil mortes por poluição no Reino Unido e em outros países da Europa fossem evitadas, de acordo com um estudo do ‘Center for Research on Energy and Clean Air’ (Centro de Pesquisa de Energia e Ar Limpo), citado pelo ‘The Guardian’.
As quedas acentuadas no trânsito rodoviário e nas emissões industriais também resultaram numa redução de: 1,3 milhões de dias de ausência no trabalho, seis mil crianças em desenvolvimento de asma, 1.900 visitas às urgências hospitalares e ainda 600 nascimentos prematuros, segundo o mesmo estudo.
Portugal foi um dos países que registou uma maior quebra, de mais de 50%, destes dois níveis de poluentes, que enfraquecem o coração e o sistema respiratório e que juntos são normalmente responsáveis por cerca de 470 mil mortes na Europa por ano. No nosso país foram evitadas cerca de 609 mortes, segundo o estudo.
O estudo revela ainda o maior número de mortes foi evitado na Alemanha, 2.083, no Reino Unido 1.752, em Itália 1.490, em França 1.230 e em Espanha 1.083. Por doença, quase 40% das reduções de mortes estavam relacionadas com a insuficiência cardíaca, 17% com doenças pulmonares e 13% com derrames e doenças oncológicas.
Enquanto a pandemia continua a ‘cobrar um preço muito alto’, com quase 228 mil mortes em todo o mundo desde o início do ano, os autores do relatório dizem que a resposta ofereceu paralelamente um ambiente mais limpo e saudável, o qual é possível de se manter, caso o mundo se afaste da poluição das indústrias de combustíveis fósseis.
Comparado com o mesmo período do ano passado, os níveis de dióxido de nitrogénio caíram 40%, enquanto o minúsculo material de partículas, conhecido como PM2.5, registou uma queda de 10%, o que significa que as pessoas sem a Covid-19 podem respirar mais facilmente.
O cálculo geral de 11.000 mortes evitadas é a estimativa mais provável de uma série de análises por computador, com resultados que variam de 20 mil a sete mil mortes.
Em todo o mundo, o número de mortes evitadas por poluição será muito maior, uma vez que este estudo se concentra apenas num continente e num mês especifico, ao invés de regressar ao início da pandemia global em Wuhan, há seis meses. As duas nações mais populosas e poluídas do mundo – China e Índia – sofreram algumas das quedas mais acentuadas na poluição do ar.
Importa referir que o estudo não inclui mortes pelo próprio coronavírus. Os cientistas acreditam que a poluição do ar aumenta a gravidade da doença e alguns estudos sugerem que o vírus pode estar ligado a partículas atmosféricas, contudo os investigadores por trás do modelo mais recente disseram que não tinham dados suficientes para incluí-los na pesquisa.












