Redução da poluição na Europa evitou 11 mil mortes. Em Portugal foram evitadas mais de 600

As conclusões de um estudo recente sobre os efeitos do novo coronavírus, apontam ainda que foram verificadas menos crises de asma e menos nascimentos prematuros.

Simone Silva

A melhoria na qualidade do ar durante o mês passado devido ao bloqueio do novo coronavírus, fez com que 11 mil mortes por poluição no Reino Unido e em outros países da Europa fossem evitadas, de acordo com um estudo do ‘Center for Research on Energy and Clean Air’ (Centro de Pesquisa de Energia e Ar Limpo), citado pelo ‘The Guardian’.

As quedas acentuadas no trânsito rodoviário e nas emissões industriais também resultaram numa redução de: 1,3 milhões de dias de ausência no trabalho, seis mil crianças em desenvolvimento de asma, 1.900 visitas às urgências hospitalares e ainda 600 nascimentos prematuros, segundo o mesmo estudo.

Portugal foi um dos países que registou uma maior quebra, de mais de 50%, destes dois níveis de poluentes, que enfraquecem o coração e o sistema respiratório e que juntos são normalmente responsáveis ​​por cerca de 470 mil mortes na Europa por ano. No nosso país foram evitadas cerca de 609 mortes, segundo o estudo.

O estudo revela ainda o maior número de mortes foi evitado na Alemanha, 2.083, no Reino Unido 1.752, em Itália 1.490, em França 1.230 e em Espanha 1.083. Por doença, quase 40% das reduções de mortes estavam relacionadas com a insuficiência cardíaca, 17% com doenças pulmonares e 13% com derrames e doenças oncológicas.

Enquanto a pandemia continua a ‘cobrar um preço muito alto’, com quase 228 mil mortes em todo o mundo desde o início do ano, os autores do relatório dizem que a resposta ofereceu paralelamente um ambiente mais limpo e saudável, o qual é possível de se manter, caso o mundo se afaste da poluição das indústrias de combustíveis fósseis.

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Comparado com o mesmo período do ano passado, os níveis de dióxido de nitrogénio caíram 40%, enquanto o minúsculo material de partículas, conhecido como PM2.5, registou uma queda de 10%, o que significa que as pessoas sem a Covid-19 podem respirar mais facilmente.

O cálculo geral de 11.000 mortes evitadas é a estimativa mais provável de uma série de análises por computador, com resultados que variam de 20 mil a sete mil mortes.

Em todo o mundo, o número de mortes evitadas por poluição será muito maior, uma vez que este estudo se concentra apenas num continente e num mês especifico, ao invés de regressar ao início da pandemia global em Wuhan, há seis meses. As duas nações mais populosas e poluídas do mundo – China e Índia – sofreram algumas das quedas mais acentuadas na poluição do ar.

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Importa referir que o estudo não inclui mortes pelo próprio coronavírus. Os cientistas acreditam que a poluição do ar aumenta a gravidade da doença e alguns estudos sugerem que o vírus pode estar ligado a partículas atmosféricas, contudo os investigadores por trás do modelo mais recente disseram que não tinham dados suficientes para incluí-los na pesquisa.

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