Luso-venezuelano libertado desconhece qual a sua situação legal e precisa poio psicológico

Caracas, 22 abr (Lusa) — O empresário luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, que foi libertado terça-feira pelas autoridades venezuelanas, desconhece qual a sua situação legal, estando ainda em estado de choque e a precisar de tratamento psicológico, disse a irmã à Lusa.

Executive Digest com Lusa

Caracas, 22 abr (Lusa) — O empresário luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, que foi libertado terça-feira pelas autoridades venezuelanas, desconhece qual a sua situação legal, estando ainda em estado de choque e a precisar de tratamento psicológico, disse a irmã à Lusa.


“Ele ainda não acredita que está em liberdade. Esteve preso durante muito tempo.  Foram 3 anos, 7 meses e 12 dias”, disse sublinhando que enquanto preso o irmão perdeu que “a noção do que é a vida lá fora”.


Mariela Ferreira revela que quando o irmão foi notificado de que seria libertado, não acreditou e “foram os colegas que tiveram de o ajudar a reagir.


“Agora ele está em casa (…) Está bastante magro, falta-lhe um pouco de cor e de vigor (…) o que é preocupante é sua parte [vertente] psicológica, que está bastante afetada”, disse.


Mariela Ferreira explicou ainda que Héctor Ferreira espera que o tribunal se pronuncie sobre a sua libertação e sobre os bens da família que estão apreendidos.

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“Agora é esperar, mas é um grande passo que esteja em casa e não naquele lugar tão horrivelmente feio”, disse precisando que o irmão foi condenado a 18 anos de prisão e a pagar uma multa de 1,65 milhões de dólares (1,4 milhões de euros), apesar de ser inocente.


“Embora tivéssemos todas as provas a nosso favor, o processo decorreu num tribunal de terrorismo, e lá as decisões nunca são favoráveis, são sempre desfavoráveis”, disse.


Explicou ainda que em 23 de fevereiro fizeram um pedido de amnistia do qual não houve resposta e então decidiram acudir à Comissão Especial de Acompanhamento da Lei de Amnistia, da Assembleia Nacional (parlamento), presidida pelo deputado Jorge Arreaza.

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“Ainda não houve novidades (…) Limitaram-se a emitir uma ordem de libertação e o meu irmão saiu, mas não sabemos quais as condições da sua libertação do ponto de vista jurídico (…) por isso ele não pode fazer declarações””, disse.


Mariela Ferreira recordou o esforço diário que fazem os portugueses na Venezuela, para dar o exemplo de trabalho, de família e inclusive para dar trabalho aos venezuelanos e explicou que aquando da detenção a empresa já tinha 65 anos de funcionamento contínuo.


Questionada sobre se a pressão de Portugal teria ajudado na libertação do irmão, respondeu que sim.


“Sem dúvida, que sim. Tenho a certeza disso”, disse mostrando-se agradecida ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, e ao líder do PS, José Luís Carneiro, antigo titular da pasta, pelas diligências feitas nas recentes visitas à Venezuela.


“Todos vieram e falaram sobre os presos políticos, e se reuniram com o ministro de Relações Exteriores (Yván Gil) e com Jorge Arreaza, presidente da comissão parlamentar de acompanhamento da Lei de Amnistia”, disse.

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Referiu ainda que o diretor regional das Comunidades Madeirenses, Sancho Gomes, esteve também na Venezuela e que o vice-ministro venezuelano de Relações Exteriores para a Europa e América do Norte, Oliver Blanco, visitou Lisboa recentemente.


Para Mariela Ferreira é importante que Portugal continue a acompanhar a situação do irmão e dos outros presos políticos luso-venezuelanos.


No entanto, lamentou que apesar de a Embaixada de Portugal na Venezuela conhecer do caso do seu irmão desde há 2 anos e 7 meses, a família sentiu-se “abandonada”.


“Sentíamos que não havia comunicação da Embaixada connosco (…) soubemos apenas que em duas oportunidades foram solicitadas autorizações para visitas consulares, que foram negadas”, disse.


O Governo português saudou terça-feira a libertação de Héctor Ferreira Domingues e garantiu que vai continuar a trabalhar pela “libertação dos presos políticos que ainda estão detidos” na Venezuela.


“Portugal (…) expressa profunda solidariedade à família neste reencontro tão aguardado”, realçou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa nota na rede social X.


“O Governo português continuará a trabalhar, discreta mas ativamente, pela libertação dos presos políticos que ainda estão detidos na Venezuela”, pode ler-se ainda.


Em fevereiro, a organização não governamental Foro Penal (FP), divulgou um alerta na Internet que pedia libertação de Héctor Mário Ferreira Domingues, detido “durante uma rusga à fábrica de uniformes que dirigia em Caracas”.


Segundo a FP a sua detenção se baseou na declaração de um “patriota cooperante anónimo”, que afirmou que a empresa teria realizado supostas negociações com a empresa Monómeros Colombo Venezolanos S.A. (filial da estatal venezuelana Pequiven na Colômbia) para a venda de materiais que supostamente se destinariam à Assembleia Nacional.


A FP denunciou também que “no dia seguinte à sua detenção e à rusga, as forças de segurança tomaram a empresa e continuaram a trabalhar lá, o que, segundo a família e a sua defesa, sugere que a intenção por detrás da operação era tomar posse da empresa”.


Fontes da comunidade lusa local disseram na altura à Agência Lusa que o que aconteceu com o empresário foi reportado às autoridades portuguesas, pouco depois de Ferreira Domingues ter sido detido.


Segundo dados da organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão (JEP), na Venezuela estão detidas por motivos políticos 674 pessoas.

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