Forças Armadas com nova meta: Portugal precisa de quase 4.000 militares adicionais até 2027

O Governo estabeleceu como objetivo aumentar significativamente o número de militares nas Forças Armadas portuguesas até ao final de 2027, apontando para um acréscimo de cerca de 3700 efetivos face aos níveis atuais.

Revista de Imprensa

O Governo estabeleceu como objetivo aumentar significativamente o número de militares nas Forças Armadas portuguesas até ao final de 2027, apontando para um acréscimo de cerca de 3700 efetivos face aos níveis atuais. Esta meta surge num contexto de reforço do investimento em defesa, impulsionado por novas exigências internacionais e pela necessidade de responder a desafios crescentes na segurança global.

De acordo com o Público, a meta consta da proposta de Lei das Grandes Opções para 2026-2029, entregue no Parlamento, onde o Executivo define um crescimento médio anual de 4,5% no número de militares. Tendo como base os 23.678 efetivos registados em 2024, esta progressão permitirá atingir cerca de 28.234 militares até 2027.

Crescimento ainda distante da meta final
Os dados mais recentes, apresentados pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, indicam que Portugal já conta com 24.517 militares, um aumento face ao ano anterior. Ainda assim, para alcançar a nova meta, será necessário recrutar milhares de novos elementos num curto espaço de tempo, o que representa um desafio significativo, apesar do aumento recente de voluntários e contratados.

Este crescimento é, em parte, explicado por medidas adotadas pelo Governo, nomeadamente o aumento das remunerações militares em 2025, considerado histórico. Em muitos casos, o suplemento de condição militar subiu cerca de 300 euros, contribuindo para tornar a carreira mais atrativa e incentivar o recrutamento.

Pressão internacional e reforço orçamental
O reforço dos efetivos surge também num contexto de maior pressão internacional, sobretudo no âmbito da NATO. Portugal comprometeu-se a atingir um investimento em defesa equivalente a 2% do PIB em 2025 — meta já cumprida — e a avançar para 5% até 2029, sendo que parte desse esforço será canalizado para infraestruturas críticas.

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Paralelamente, o Governo tem vindo a aumentar o orçamento da Defesa, com um reforço superior a mil milhões de euros em 2025, além de um investimento previsto de 5,8 mil milhões no programa europeu SAFE. Este financiamento destina-se à modernização das capacidades militares, incluindo a aquisição de navios, aeronaves, radares, mísseis e viaturas blindadas.

Distribuição desigual entre ramos militares
Os dados apresentados no Parlamento mostram diferenças entre os vários ramos das Forças Armadas. A Força Aérea conta atualmente com 6224 militares, enquanto o Exército reúne 11.649 efetivos. Já a Marinha registou uma ligeira redução, passando de 6702 militares em 2024 para 6644 em 2025, sendo o único ramo em contraciclo.

Apesar da tendência global de crescimento, o ministro da Defesa sublinhou que esta evolução deve ser encarada com cautela, descrevendo-a como “notável”, mas advertindo que não deve gerar “euforias”.

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Necessidade de mais efetivos a longo prazo
A discussão sobre o número de militares necessário em Portugal não é nova. Desde o fim do Serviço Militar Obrigatório, em 2004, o país tem registado uma redução significativa de efetivos. Ainda assim, desde 2021, foi definido o objetivo de atingir os 32 mil militares, uma meta que continua distante.

Especialistas da área da Defesa alertam que o número poderá ter de ser ainda mais elevado no futuro. O general José Nunes da Fonseca já defendeu que, para operar os novos equipamentos tecnológicos previstos, Portugal deverá aproximar-se dos 35 a 36 mil militares nas próximas duas décadas, sublinhando que “as capacidades que estão a ser levantadas […] carecem de pessoas”.

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