PS em Lisboa regista “alguma perplexidade” por Moedas ser comentador político

O PS na Assembleia Municipal de Lisboa manifestou hoje “alguma perplexidade” por o presidente da Câmara, Carlos Moedas (PSD), passar a ser comentador político num canal televisivo, tendo o social-democrata afirmando que continuará a ser “a voz dos lisboetas”.

Executive Digest com Lusa

O PS na Assembleia Municipal de Lisboa manifestou hoje “alguma perplexidade” por o presidente da Câmara, Carlos Moedas (PSD), passar a ser comentador político num canal televisivo, tendo o social-democrata afirmando que continuará a ser “a voz dos lisboetas”.


Na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), no âmbito da apreciação do trabalho do executivo municipal nos últimos dois meses, o deputado do PS Hugo Lobo assinalou a notícia de que Carlos Moedas vai ter um novo espaço de comentário político num canal televisivo e recordou que o autarca do PSD “foi bastante crítico” quando anteriores presidentes da Câmara Municipal de Lisboa (CML) ocuparam função similar.


Por isso, o socialista expressou “alguma perplexidade”, bem como preocupação: “Porque se efetivamente o senhor presidente antes de ter esse espaço de comentário político já pouco era avistado aqui na AML, tenho de facto a enorme preocupação de que, com a preparação desse espaço de comentário político, o senhor presidente em definitivo desapareça da AML”.


A este propósito, o presidente da AML, André Moz Caldas (PS), disse que o presidente da CML “notificou a AML do seu novo espaço de comentário, nos termos legais”.


Em resposta ao PS, Carlos Moedas escudou-se numa alegada notícia de fevereiro de 2010 em que deputados da AML acusavam o então presidente da CML, o socialista António Costa, de não comparecer com frequência às reuniões deste órgão deliberativo do município, e defendeu que a sua presença é para “escrutínio democrático”, mas o trabalho de governar a cidade é “na rua, com as pessoas, todos os dias”.

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Sobre o assumir de um espaço de comentário político num canal televisivo, o social-democrata respondeu: “Quando estou a falar ou numa televisão ou num comentário, estou a ser a voz dos lisboetas.”


Posteriormente, a deputada Margarida Bentes Penedo, do Chega, avisou o presidente da CML de que “tem mandato para comandar Lisboa” e não para fazer comentário televisivo.


Do balanço do trabalho da CML entre fevereiro e março, o PS alertou para “uma subexecução do investimento e uma discrepância gritante entre os montantes anunciados e os montantes efetivamente executados”, referindo que houve, até ao final do primeiro trimestre deste ano, uma execução global da despesa de 15%.

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O socialista Hugo Logo disse ainda que a execução das despesas de capital se situa em 9%, enquanto o investimento está em 6%, realçando que a execução na área da habitação é de 4,5 milhões de euros (ME), o que corresponde a uma taxa de 5,5% da dotação inscrita, indicando que houve “um avanço marginal de mais 57 casas em dois meses”.


“São números pobres e claramente insuficientes para um município com um orçamento superior a 1,2 mil milhões de euros”, considerou o deputado do PS.


Hugo Lobo questionou ainda a gestão municipal de PSD/CDS-PP/IL sobre 13 escrituras de compra e venda, com receita de 5,7 ME, e sobre a venda de património público na cidade, em particular imóveis com aptidão habitacional.


Contrapondo, Carlos Moedas rejeitou às críticas na área da habitação, referindo que, “entre 2010 e 2020, o PS construiu em Lisboa 17 por ano”, e justificando o aumento dos preços das casas com “uma década de estagnação em relação à oferta do imobiliário”.


Quanto à alienação de património, o autarca do PSD disse que nos mandatos dos socialistas António Costa e Fernando Medina houve “vendas de património de 800 ME”, assumindo não ser contra essa opção política.

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“Há património que pode ser vendido para fazer mais habitação, senão nós não conseguimos, porque o dinheiro não cai do céu”, justificou.


Quanto à execução de investimento, o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), argumentou que o primeiro trimestre é pouco representativo em termos globais e adiantou que, nesse indicador, a governação do PS teve uma média de 46% entre 2010 e 2020, enquanto a gestão de Moedas teve 66%, ou seja, a execução socialista ficou “abaixo 20%”.


“O vosso melhor ano é pior do que o pior ano do engenheiro Carlos Moedas. Tinham exatamente as mesmas condições de investir”, declarou Gonçalo Reis, tendo o socialista Miguel Coelho argumentando que quando o PS ganhou as eleições em 2007 “a CML estava falida”, enquanto o PSD herdou “os cofres cheios”.


Miguel Coelho registou ainda a ausência de intervenção da CML quanto ao aumento do custo de vida na cidade, devido ao conflito no Médio Oriente, e defendeu medidas de apoio às famílias, ao que Moedas considerou que a resposta à crise mundial tem de ser nacional ou supranacional, com a União Europeia.



SSM/MPE // VAM

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