Donald Trump afirmou esta terça-feira estar surpreendido com a resistência dos mercados financeiros à guerra com o Irão, admitindo que esperava uma reação muito mais violenta em Wall Street e no petróleo.
Numa intervenção na ‘CNBC’ antes da abertura oficial da sessão bolsista, citada pelo ‘Business Insider’, o presidente americano disse que previa uma queda expressiva das ações e uma forte escalada do crude após o agravamento do conflito no Médio Oriente.
“Pensei que [as bolsas] estariam a cair 20% ou uma percentagem muito substancial”, declarou Trump. “Mesmo quando caíram mais há algumas semanas, achei que desceriam muito mais.”
Petróleo longe dos 200 dólares
Trump mostrou a mesma surpresa no mercado energético. “Pensei que o petróleo estaria muito mais alto. Se me tivessem dito que estava nos 90 dólares e não nos 200, francamente ficaria surpreendido”, afirmou.
As declarações surgem numa altura em que os investidores continuam atentos aos riscos no Médio Oriente, sobretudo à situação no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo.
Apesar da tensão geopolítica, os preços do crude recuaram dos máximos registados após o início da guerra, embora permaneçam acima dos níveis anteriores ao conflito. A Reuters indicava esta semana valores próximos dos 98 dólares por barril no Brent e acima dos 93 dólares no WTI.
Wall Street recuperou perdas
A reação dos mercados americanos tem sido mais sólida do que muitos antecipavam.
Segundo o ‘Business Insider’, o índice S&P 500 já recuperou as perdas ligadas ao conflito e regressou a máximos históricos, acompanhado pelo Nasdaq, impulsionado pelo setor tecnológico.
As palavras de Trump acabaram por reforçar a leitura otimista de muitos investidores: apesar da guerra, a economia americana continua resiliente e os mercados recusam entrar em pânico.
Porque falou Trump agora?
Trump sempre tratou Wall Street como termómetro político do seu mandato. Sempre que as bolsas sobem, apresenta isso como prova de confiança na sua liderança.
Ao escolher a ‘CNBC’ e o período pré-abertura, falou diretamente para investidores, gestores de fundos e milhões de americanos atentos às suas carteiras.
A mensagem implícita foi clara: mesmo em tempo de guerra, os mercados aguentam-se melhor do que o esperado.
Mas os riscos continuam
Apesar do tom confiante de Trump, vários analistas continuam a alertar que um conflito prolongado pode provocar nova pressão nos combustíveis, inflação adicional e travões ao crescimento global.
Ou seja, a guerra ainda não provocou o choque que Trump previa — mas os mercados continuam a negociar num terreno altamente instável.














