A guerra no Irão está a ter efeitos diretos no quotidiano dos portugueses, com a esmagadora maioria das famílias a admitir já sentir o impacto da subida dos preços e a alterar comportamentos para conter despesas. De acordo com o barómetro de abril da Intercampus, realizado para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV, 95,6% dos inquiridos afirmam estar a sentir na carteira os efeitos do conflito no Médio Oriente, menos de dois meses após os Estados Unidos e Israel terem lançado um ataque contra o Irão. Perante este cenário, 67% dizem já ter mudado hábitos para fazer face ao aumento do custo de vida.
O encarecimento dos combustíveis, impulsionado pela forte subida do preço do petróleo na sequência do conflito e do encerramento do estreito de Ormuz, está a ter reflexos evidentes nos transportes: mais de 70% dos inquiridos admitem que estão a reduzir as deslocações em automóvel próprio. Também as idas a restaurantes estão a ser revistas, com 63,5% dos participantes a indicarem que passaram a fazer menos refeições fora de casa.
A incerteza prolongada, marcada por avanços e recuos nas tentativas de cessar-fogo, está igualmente a refletir-se no supermercado. Mais de metade dos inquiridos afirma já ter alterado o cabaz alimentar, procurando ajustar escolhas e quantidades para poupar. Embora apenas pouco mais de um quarto admita travar despesas com férias fora de casa, atividades de lazer como cinema ou teatro já integram a lista de cortes para muitas famílias.
O impacto económico reforça um sentimento generalizado de pessimismo. Segundo o barómetro, 76% acreditam que 2026 será pior do que 2025, enquanto 17,8% antecipam um cenário semelhante ao atual e apenas 3,8% se mostram confiantes numa evolução positiva das suas vidas. Esta perceção acompanha os resultados dos Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores divulgados no final de março pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que registaram “uma redução significativa” da confiança dos consumidores, atingindo o valor mais baixo desde dezembro de 2023.
Os dados oficiais confirmam que o fenómeno não se limita às perceções. Em março, a inflação acelerou para 2,7% em termos homólogos, o valor mais elevado desde agosto do ano passado, segundo o INE. O índice de preços da energia registou o maior aumento, antecipando novos impactos noutras categorias de bens, dado que as variações nos combustíveis tendem a repercutir-se rapidamente no restante cabaz de consumo.











