A análise de Nelson Pires, General Manager, JABA RECORDATI
Os resultados do 47.º Barómetro da Executive Digest são inequívocos: a desburocratização (56%) é a prioridade absoluta para os gestores e decisores portugueses. Este dado não é apenas uma estatística; é um sintoma de um país onde a máquina pública, em vez de lubrificar as engrenagens da economia, funciona frequentemente como um travão à inovação e ao investimento. Dados recentes do INE (2024/2025) confirmam esta percepção das empresas: o indicador global de custos de contexto atingiu 3,14 pontos (numa escala de 1 a 5), o valor mais elevado da última década. Na opinião das empresas, agravado pela carga administrativa, licenciamentos e burocracia assim como pela morosidade judicial. A reforma do Estado não pode continuar a ser um conceito abstracto ou uma promessa eleitoral cíclica. Quando 36% dos inquiridos apontam a redução do IRS e 33% o Crescimento Económico como pilares urgentes, a mensagem é clara: “o Estado precisa de sair da frente”. A asfixia fiscal sobre a classe média e as empresas, combinada com uma Justiça lenta (28%) e processos administrativos labirínticos, cria um ecossistema hostil à competitividade. É também sintomático que a Habitação (33%) surja no topo das preocupações. O mercado reconhece que o custo de vida é hoje um entrave à mobilidade e à dignidade social. Em suma, o país não pede apenas menos impostos; pede um Estado mais ágil, digital e, acima de tudo, eficiente. Portugal não pode continuar a discutir o acessório enquanto a estrutura da sua administração pública impede o essencial: um crescimento robusto que retenha talento e gere prosperidade real. A reforma é, hoje, uma questão de sobrevivência económica.
Testemunho publicado na edição de Abril (nº. 241) da Executive Digest, no âmbito da XLVII edição do seu Barómetro.














