De gerente bancário a despedido: o esquema dos 30 cartões que acabou mal

Durante mais de duas décadas, construiu uma carreira sólida no setor bancário. Era gerente de agência, tinha um salário elevado e ocupava um cargo de confiança num dos maiores bancos

Francisco Laranjeira

Durante mais de duas décadas, construiu uma carreira sólida no setor bancário. Era gerente de agência, tinha um salário elevado e ocupava um cargo de confiança num dos maiores bancos.

Nada fazia prever o que viria a seguir.

Fora do radar dos colegas, havia um hábito que se foi tornando rotina. Todos os dias, durante o horário de trabalho, dedicava horas a acompanhar corridas de cavalos. Entre apostas e análises, acumulou mais de mil acessos a um site especializado ao longo de menos de um ano.

No início, parecia controlado. Até deixou de o ser.

Quando os seus próprios cartões começaram a ser bloqueados pelas plataformas de jogo, encontrou uma forma de continuar. Não desistiu — adaptou-se.

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Segundo o caso relatado pelo ‘HuffPost’, começou a recorrer a amigos e conhecidos, convencendo-os a aderir a cartões de crédito que, na prática, seriam usados por ele. Em troca, prometia uma parte dos ganhos.

Mas o plano não se ficou por aí. Tirando partido da sua posição dentro do banco, utilizou sistemas internos para emitir esses cartões e gerir todo o processo. Chegou mesmo a recorrer ao acesso de uma funcionária subordinada para concretizar algumas operações.

No total, foram emitidos 30 cartões em nome de terceiros, todos ligados à sua própria conta. A partir daí, controlava ativações, bloqueios e cancelamentos, mantendo o esquema em funcionamento.

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Durante meses, nada levantou suspeitas.

Até ao dia em que uma cliente se dirigiu a uma agência para pedir a segunda via do cartão. Um procedimento banal que acabou por revelar algo estranho: existia um cartão em seu nome que não reconhecia — e que estava ligado à conta do gerente.

A partir desse momento, o caso começou a desfazer-se.

Uma denúncia interna e a auditoria que se seguiu trouxeram à luz não apenas o esquema dos cartões, mas também outras práticas: uso intensivo da internet para fins pessoais durante o trabalho e envio de informação interna do banco para o e-mail pessoal.

O padrão tornou-se evidente.

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O banco avançou para despedimento disciplinar no final de 2024, após mais de 22 anos de serviço. O gerente ainda recorreu para tribunal, alegando desproporção da medida e violação de privacidade.

Sem sucesso.

O Tribunal Superior de Justiça do País Basco acabou por confirmar a decisão, sublinhando a gravidade da quebra de confiança — especialmente tendo em conta o cargo que ocupava.

No setor bancário, onde a confiança é tudo, certas linhas não admitem retorno.

E, neste caso, a queda não começou num erro isolado. Foi sendo construída, pouco a pouco, até se tornar impossível de esconder.

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