Portugal continental, Madeira e Açores iniciam esta segunda-feira uma semana de forte instabilidade atmosférica, depois de vários dias dominados por tempo seco e temperaturas elevadas. A tendência para os próximos dias aponta para precipitação intermitente, trovoadas, possível queda de granizo e transporte de poeiras do Saara, num cenário meteorológico dinâmico e típico da primavera.
As previsões são do portal especializado Tempo.pt, que antecipa uma alteração significativa na circulação atmosférica entre hoje e domingo, 26 de abril, com impactos distintos nas três unidades territoriais.
Fim da estabilidade anticiclónica dá lugar a fluxo instável
Após o domínio de uma vasta área de altas pressões sobre a Península Ibérica — que até ontem garantiu tempo estável e temperaturas invulgarmente elevadas para abril — a situação meteorológica começa hoje a mudar.
A partir desta segunda-feira, o jato polar deverá ondular de forma acentuada, favorecendo a formação de bloqueios anticiclónicos nas latitudes altas, entre a Escandinávia, o Mar do Norte, a Islândia e a Gronelândia. Este reposicionamento enfraquece a estabilidade anticiclónica junto a Portugal continental e abre espaço a um fluxo mais instável, proveniente de sul e leste, por vezes também de sudoeste.
O resultado será o aumento da nebulosidade e a ocorrência de precipitação, potencialmente acompanhada de trovoadas.
Poeiras do Saara e subida temporária das temperaturas
Para hoje e terça-feira (21), está prevista uma intrusão significativa de poeiras do Saara sobre o Continente, impulsionada por uma depressão formada entre as Canárias e a Madeira, que tenderá depois a posicionar-se a oeste-sudoeste da Península Ibérica.
Este transporte de ar quente e seco poderá provocar uma nova subida das temperaturas no início da semana, ainda que acompanhada por maior concentração de partículas em suspensão na atmosfera.
Não se exclui a possibilidade de ocorrência do fenómeno conhecido como “chuva de lama”, caso a precipitação coincida com a presença de poeiras.
Aguaceiros fortes, trovoadas e rajadas até 80 km/h
Entre hoje e terça-feira, a precipitação deverá ocorrer de forma intermitente, sob a forma de aguaceiros, alguns dos quais poderão ser localmente fortes e acompanhados de trovoada. Está também em cima da mesa a possibilidade de queda ocasional de granizo.
O vento soprará dos quadrantes sul e leste, por vezes de sudoeste, intensificando-se à medida que a depressão se desloca rapidamente de sul para norte. Na terça-feira, sobretudo durante a tarde, preveem-se rajadas até 75 a 80 km/h no interior Norte e Centro.
A partir de quarta-feira (22), aumenta a incerteza quanto à distribuição e intensidade da chuva no Continente. O cenário atmosférico continuará instável, mas a evolução concreta dependerá do posicionamento das depressões no Atlântico.
Açores sob influência de depressão potencialmente forte
Nos Açores, o panorama é ainda mais exigente. Depois de um sábado (18) já marcado por uma baixa pressão com períodos de chuva e aguaceiros, e de um domingo e segunda-feira mais variáveis, com alternância entre céu nublado e abertas, a instabilidade deverá agravar-se a partir de terça-feira (21).
Os mapas indicam que um amplo centro de baixas pressões descerá gradualmente até às latitudes do arquipélago, onde poderá permanecer estacionário durante vários dias.
Esta depressão deverá cavar rapidamente, evoluindo para um sistema mais intenso na quarta-feira (22), com potencial para provocar chuva forte, vento intenso e agitação marítima significativa. A distribuição e intensidade dos fenómenos poderão variar de ilha para ilha, mas o cenário deverá justificar a emissão de avisos meteorológicos pelo IPMA.
Caso a previsão se confirme, não se exclui a possibilidade de a depressão vir a ser nomeada. A sua influência poderá prolongar-se até quinta-feira (23).
Final da semana pode trazer nova frente ao Continente
Existem cenários que apontam para um eventual deslocamento desta depressão cavada em direção a leste no final da semana. Se tal se concretizar, sexta-feira (24) e sábado (25) poderão voltar a ser dias marcados por precipitação e outros efeitos meteorológicos adversos também no Continente.
Ainda assim, a incerteza permanece elevada quanto à ocorrência, distribuição e intensidade destes fenómenos em território continental. As projeções mais recentes do modelo europeu continuam, contudo, a sustentar essa possibilidade.
Até domingo, 26 de abril, o padrão dominante será de elevada variabilidade atmosférica nas três regiões portuguesas, confirmando a transição de um período de calor anómalo para uma semana marcada por chuva, poeiras, vento forte e instabilidade típica da primavera.











