Qual o papel da inovação no caminho para sermos extraordinários? As posições de Bruno Gonçalves (eurodeputado), José Vale (IAPMEI) e Marcelo Nico (Tabaqueira)

Como articular a Inovação e o Desenvolvimento com as transformações de cada mercado, setor, País ou realidade, um contexto global, e tendo em conta a regulamentação europeia ou a competição de várias grandes potenciais mundiais, e sempre garantindo que o talento nacional é valorizado, foi este o grande tema de discussão.

Pedro Zagacho Gonçalves

Como articular a Inovação e o Desenvolvimento com as transformações de cada mercado, setor, País ou realidade, um contexto global, e tendo em conta a regulamentação europeia ou a competição de várias grandes potenciais mundiais, e sempre garantindo que o talento nacional é valorizado, foi este o grande tema de discussão na terceira mesa-debate da XXX Conferência Executive Digest, que teve como mote “Portugal 2035: Inovação, Resiliência e Liderança num Mundo em Mudança”. Participaram o Eurodeputado Bruno Gonçalves, José Vale, Director de Empreendedorismo e Inovação do IAPMEI e Marcelo Nico, Diretor-Geral da Tabaqueira

Marcelo Nico, Diretor-Geral da Tabaqueira, iniciou referindo que “a inovação e tecnologia são fundamentais para uma empresa continuar a operar”. “A Tabaqueira tem 99 anos, se não fosse inovação e tecnologia, seria inviável ter a empresa em operação, o sétimo maior exportador português. E boa parte é a tecnologia e inovação. O talento que continuamos a ter em Portugal também é aspeto importante e a ligação com a academia é essencial neste aspeto, para desenvolver e crescer, é assim que se garante milhões de euros em exportações. Se não há investimento, outras fábricas ou ou países vão ‘roubar’ o mercado. Sem inovação e tecnologia é impossível competir hoje”, sustentou o orador.

O responsável da tabaqueira apontou alguns obstáculos que a regulamentação representa, ja que “a industria evolui mais rápido”. assim “a única maneira de encontrar sinergia é no diálogo” entre Estado e empresas, “porque é assim que se criam regulamentações para acelerar o desenvolvimento no caminho que queremos. Se assim não fosse, seria impossível avançar”.

José Vale, Director de Empreendedorismo e Inovação do IAPMEI, pegou na mesma questão do talento para referir que o instituto verificou e estudou este aspeto logo nas primeiras edições da Web Summit. “É reconhecido internacionalmente, mas não chega. É preciso produzir mais, e se reter é mais complexo, conseguimos criar mecanismos no IAPMEI que atraem talento. São dois vistos especiais dirigidos a pessoas altamente qualificadas, para empreendedorismo, e Tech Visa, para empresas”, explicou.

“Desde 2018 conseguimos importar 10 mil pessoas. Tem de se interpretar o que a a I&D é capaz em ambiente empresarial e vimos de um passado em que investigação e desenvolvimento tem de ter aplicação em valor económico. Isto está a permitir que se desenhem condições para atingir 3% do PIB em I&D. É essencial para tecido empresarial e não tem de passar por laboratório, pode ser partilha de realidade já existente”, continuou o responsável.

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Por outro lado, o eurodeputado Bruno Gonçalves destacou que “Portugal fez um caminho extraordinário para chegar a nível ordinário europeu, mas extraordinário em algumas área, e o caminho das últimas décadas é ímpar. A forma mais obvia é o gap geracional, no talento, na formação, e a forma como a geração dos meus avós e a minha olha para o mundo. É mau? Eu acho que é bom ser for aproveitado”.

O socialista assinalou a importância da política comercial bem definida na União Europeia que “significa que podemos usar o poder dos 27 de forma mais ágil”, e revelou que a “Europa é sempre nos momentos de grade oportunidade quem mais se supera”, tendo-se revelado ainda mais resiliente no último ano. “A Europa assinou mais acordos comerciais este ano do que nos últimos 25, perante as sanções do parceiro EUA”, sublinhou Bruno Gonçalves

O eurodeputado defendeu que o “Estado tem de ser mais ágil, capaz e burocratizado, e a digitalização é grande oportunidade, para as pessoas e empresas. Se as PMEs não estiverem a par das revoluções, ficamos para trás. O modelo europeu é importante nas revisões de como Estado pode investir publicamente, como catalisador. Mas Portugal é muito minifundiário, há uma dificuldade na ação, no imediatismo, porque estamos pouco preparados para errar”. Mas, segundo sustentou “o diferencial está aqui, comparativamente com os EUA. O problema não é o dinheiro, o problema é a adaptação, estabilidade e resistência ao risco, e é aqui que falhamos”.

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O orador contrastou ainda que as “empresas europeias olham para regulação e pensam o que podem fazer; nos EUA é ao contrario, olhamos e pensamos “o que é que não posso fazer?”. “É ao contrario do que a inovação deve ser, deve ser disruptiva”, resumiu.

“Precisamos de empresas que se ajustem ao mercado, e precisamos de apoios claros, para garantir que Estado apoia a inovação, o risco, como nos EUA ou na China. Temos exemplos dos últimos anos. Temos de olhar para matérias de forma pragmática. Não é possível olhar e acharmos que vamos sair da dependência de combustíveis fosseis. Estamos a falar da independência de combustíveis ou de importações de combustíveis e de outras potencias?”, continuou Bruno Gonçalves referindo a questão da Gronelândia e das ameaças de Trump.

A XXX Conferência Executive Digest decorre esta quarta-feira, na Culturgest, sob o tema “Os caminhos para um Portugal Extraordinário”, e conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, Delta Q, Fidelidade, MC Sonae, Nova SBE, Randstad, Recordati, Steelcase, Tabaqueira/Philip Morris, Unilever, CTT, Lusíadas Saúde, Vodafone, Galp, e ainda com a parceria da Neurónio Criativo, Sapo, SENO. A Sociedade Ponto Verde é o Parceiro de Sustentabilidade do evento.

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