Os preços do petróleo preparam-se para um período de forte volatilidade, num cenário marcado por tensões no Estreito de Ormuz, queda nos stocks de combustíveis refinados e a aproximação da época de manutenção das principais refinarias, avança o ‘El Economista’.
Apesar de uma ligeira recuperação recente, os níveis de reservas continuam a revelar um sistema sob pressão. Segundo dados da OPEP, os stocks comerciais da OCDE aumentaram em 6,2 milhões de barris em fevereiro, atingindo 2,826 mil milhões, mas permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia — cerca de 94 milhões de barris aquém da média entre 2015 e 2019.
Este desfasamento evidencia uma fragilidade estrutural: o mercado ainda não recuperou totalmente a sua capacidade de absorver choques de oferta, agravada pela libertação de cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicas nos últimos anos.
Mas o verdadeiro problema está na composição dessas reservas. O aumento recente deveu-se exclusivamente ao crude, enquanto os produtos refinados — como gasolina, gasóleo e querosene — registaram uma queda acentuada. Só num mês, os stocks destes combustíveis caíram 36,7 milhões de barris.
Mais adiante, o ‘El Economista’ sublinha que esta divergência expõe um gargalo crítico no setor de refinação. A capacidade instalada diminuiu tanto na Europa como nos Estados Unidos, o que limita a transformação de petróleo bruto em combustíveis utilizáveis — precisamente numa altura em que várias refinarias entram em manutenção, sobretudo no terceiro trimestre.
Na prática, isto significa que a pressão está a deslocar-se da produção de crude para o refino, onde a escassez é mais visível para consumidores e empresas. Esse desequilíbrio já se reflete no aumento das margens de refinação e na subida dos preços, especialmente do gasóleo.
Atualmente, os stocks representam cerca de 62,5 dias de cobertura da procura futura — um nível aparentemente confortável, mas que esconde um equilíbrio frágil. Qualquer nova perturbação, seja geopolítica, logística ou técnica, poderá desencadear novas subidas de preços.
Para tentar conter esta pressão, os Estados Unidos intensificaram a utilização das suas reservas estratégicas. Na última semana, o Departamento de Energia libertou até 30 milhões de barris adicionais, somando-se a operações anteriores que colocaram no mercado mais de 170 milhões de barris.
Esta estratégia permite aliviar tensões de curto prazo, mas não resolve o problema estrutural. Os barris libertados terão de ser devolvidos no futuro, com um volume adicional, o que pode voltar a pressionar o mercado mais tarde.
A isto junta-se um novo fator de risco: a temporada de furacões no Caribe, que poderá afetar infraestruturas energéticas críticas. A previsão de um fenómeno climático intenso, como o chamado “Super Niño”, aumenta a incerteza para os próximos meses.
Num contexto em que os mercados já operam no limite, o petróleo enfrenta assim uma combinação perigosa de fatores. E a mensagem dos analistas é clara: mesmo sem uma rutura total no fornecimento, o sistema está vulnerável — e os preços podem reagir rapidamente a qualquer novo choque.






