O que é o “Portão das Lágrimas”? O ponto crítico que pode juntar-se a Ormuz e travar o mundo

O Bab el-Mandeb é um estreito com cerca de 50 quilómetros de extensão e apenas 16 quilómetros de largura, localizado entre o Iémen e o Djibouti. Esta passagem liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, sendo uma peça-chave na rota marítima que conecta o Mediterrâneo — através do Canal de Suez — aos mercados asiáticos

Francisco Laranjeira

A crescente tensão no Médio Oriente está a trazer para o centro do debate um dos pontos mais sensíveis do comércio global: o chamado “Portão das Lágrimas”, nome dado ao Bab el-Mandeb, um estreito estratégico que pode tornar-se o próximo alvo do conflito.

A informação é avançada pelo ‘The Independent’, que destaca o risco de os rebeldes houthis, aliados do Irão, atacarem esta rota marítima crucial — numa altura em que o Estreito de Ormuz já enfrenta fortes constrangimentos devido à guerra.

O que é o “Portão das Lágrimas”?

O Bab el-Mandeb é um estreito com cerca de 50 quilómetros de extensão e apenas 16 quilómetros de largura, localizado entre o Iémen e o Djibouti. Esta passagem liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, sendo uma peça-chave na rota marítima que conecta o Mediterrâneo — através do Canal de Suez — aos mercados asiáticos.

Pelo estreito passam diariamente milhões de barris de petróleo e grandes volumes de gás natural liquefeito, além de mercadorias essenciais para a economia global.

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Porque é tão importante para a economia global?

Cerca de 12% do petróleo mundial transita por esta via. Nos últimos anos, o volume chegou a atingir 9,3 milhões de barris por dia, evidenciando a sua relevância estratégica.

Além disso, esta rota permite o acesso a portos fundamentais na região, incluindo infraestruturas na Arábia Saudita, no Corno de África e no Golfo de Áden.

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Qualquer interrupção neste corredor teria impacto direto nas cadeias de abastecimento globais, sobretudo na Europa e na Ásia, fortemente dependentes de energia proveniente do Médio Oriente.

Porque pode ser alvo de ataques?

O risco aumentou significativamente após o envolvimento dos rebeldes houthis no conflito com Israel e os seus aliados. O grupo, apoiado por Teerão, já realizou ataques a navios comerciais na região, levando várias empresas a desviarem rotas.

Perante a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de bloquear o Estreito de Ormuz, analistas admitem que o Irão possa responder indiretamente, incentivando os houthis a intensificar ataques no Bab el-Mandeb.

Esse cenário criaria um efeito dominó, afetando simultaneamente dois dos principais pontos de estrangulamento do comércio energético mundial.

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Que impacto teria um eventual bloqueio?

As consequências poderiam ser severas. Já em 2024, ataques nesta zona levaram a uma queda de cerca de 50% no tráfego do Canal de Suez, segundo dados citados pelo Fundo Monetário Internacional.

Muitas transportadoras optaram por contornar África, pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando o tempo de viagem entre 10 a 14 dias e elevando significativamente os custos.

Se o Bab el-Mandeb fosse totalmente bloqueado, o impacto seria ainda mais profundo — desde o aumento dos preços da energia até perturbações generalizadas no comércio internacional.

Um segundo “estrangulamento” global?

Com o Estreito de Ormuz já sob pressão — responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo —, o encerramento do “Portão das Lágrimas” representaria um cenário extremo.

Analistas alertam que a combinação dos dois bloqueios poderia provocar uma crise energética global de grandes dimensões, superando até choques históricos no fornecimento de petróleo.

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