O movimento libanês pró-iraniano Hezbollah reafirmou hoje que é contra as negociações diretas entre o Líbano e Israel, no mesmo dia em que o Ministério da Saúde libanês contabilizou 18 mortos na sequência de ataques israelitas.
A Presidência libanesa anunciou na sexta-feira que se realizará na terça-feira, em Washington, um encontro entre representantes libaneses, israelitas e norte-americanos “para discutir o estabelecimento de um cessar-fogo e a data do início das negociações entre o Líbano e Israel sob a égide dos Estados Unidos”.
Várias centenas de pessoas manifestaram-se hoje em Beirute, em frente à sede do governo, em apoio ao Hezbollah e para protestar contra estas negociações com Israel. Os manifestantes agitavam bandeiras amarelas do partido e bandeiras iranianas, segundo a agência France-Presse (AFP).
Oula Hammoud, natural do sul, rejeita qualquer normalização com Israel e quer que o primeiro-ministro Nawaf Salam “saia do país”, disse à AFP. “Desde o início da guerra até agora, só os heróis nos defenderam”, acrescenta.
Esta manifestação é uma mensagem de que o Líbano “não será israelita”, acrescenta Ruqaya Msheik, outra manifestante.
“Quem quer a paz com Israel não é libanês; aqueles que apertam a mão do inimigo (…) são sionistas”, critica.
O Hezbollah e o seu aliado, o movimento Amal, apelaram hoje, num comunicado conjunto, aos seus simpatizantes para que evitassem manifestar-se “nesta fase delicada”, invocando os interesses da “estabilidade, da preservação da paz civil e da necessidade de evitar qualquer divisão que o inimigo israelita procure provocar”.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, exigiu repetidamente “negociações diretas sob patrocínio internacional” entre os dois países, às quais Israel acabou por dar luz verde, após um apelo americano à contenção.
O embaixador israelita nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, disse na sexta-feira que o seu país “tinha aceitado iniciar negociações de paz oficiais” com Beirute, mas recusava-se “a negociar um cessar-fogo” com o Hezbollah.



