A preparar a candidatura? Le Pen em jantar secreto com o homem mais rico de França e vários CEOs

A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, participou esta semana num jantar discreto em Paris com o presidente executivo da LVMH, Bernard Arnault, e outros dirigentes de grandes empresas cotadas no principal índice bolsista francês.

Pedro Zagacho Gonçalves

A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, participou esta semana num jantar discreto em Paris com o presidente executivo da LVMH, Bernard Arnault, e outros dirigentes de grandes empresas cotadas no principal índice bolsista francês. O encontro é visto como mais um sinal de que o partido União Nacional deixou de estar isolado junto da comunidade empresarial.

De acordo com um alto responsável do partido e dois executivos cujas empresas estiveram representadas, citados pelo Politico, todos sob anonimato para poderem falar livremente sobre o jantar — também marcou presença o diretor-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, além de outros líderes de empresas integradas no CAC 40, o principal índice acionista de França.

O União Nacional não respondeu a um pedido de comentário. Um porta-voz da LVMH recusou comentar o encontro, enquanto um responsável da TotalEnergies afirmou que faz parte da política da empresa reunir-se com representantes de todos os partidos políticos franceses.

Comunidade empresarial procura aproximação antes das presidenciais
Durante anos, a elite empresarial francesa manteve reservas profundas em relação ao partido populista liderado por Le Pen, sobretudo devido às mudanças de posição em matérias económicas estruturais, como a permanência de França na zona euro. Em 2017, Bernard Arnault apoiou o Presidente francês, Emmanuel Macron, contra Le Pen, tendo recusado até agora qualquer encontro com dirigentes do União Nacional.

O contexto político atual, contudo, é diferente. As sondagens para as próximas eleições presidenciais colocam Marine Le Pen e o presidente do partido, Jordan Bardella, na dianteira das intenções de voto. Perante este cenário, vários líderes empresariais têm procurado estabelecer canais de diálogo com a extrema-direita, tentando ganhar influência junto de um partido cuja visão económica entra frequentemente em choque com os interesses do grande empresariado.

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Já em janeiro, Patrick Pouyanné tinha defendido publicamente que os dirigentes empresariais deveriam dialogar tanto com a extrema-direita como com a esquerda radical da La France Insoumise, para “introduzir algum realismo num debate político confuso e ilusório”.

Um jantar descrito como troca robusta de opiniões
Segundo um executivo ligado a uma das empresas representadas no jantar, o encontro não constituiu uma tentativa de “aproximação cúmplice” a Marine Le Pen, mas antes uma troca de pontos de vista considerada robusta.

Ainda assim, um antigo responsável governamental, também sob anonimato para preservar relações profissionais, salientou o impacto simbólico do momento, defendendo que o facto de Le Pen “se reunir com Arnault, Pouyanné e outros contribui para a sua normalização”.

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O jantar realizou-se no restaurante exclusivo Drouant, em Paris, segundo avançou o semanário Le Nouvel Obs, que revelou a existência do encontro.

De acordo com a mesma publicação, estiveram presentes mais de uma dezena de presidentes executivos, entre os quais Catherine MacGregor, diretora-executiva da Engie; Sébastien Bazin, do grupo hoteleiro Accor; Cyrille Bolloré, filho do empresário conservador Vincent Bolloré; e Henri de Castries, antigo diretor-executivo da seguradora AXA.

O encontro ilustra uma transformação gradual na relação entre a extrema-direita francesa e o mundo empresarial. O que durante anos foi uma fronteira política rígida parece agora estar a dar lugar a um diálogo pragmático, motivado pelo peso crescente do União Nacional nas sondagens e pela proximidade das eleições presidenciais.

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