Oito em cada dez europeus não confiam dados a empresas dos EUA ou da China

Mais de 8 em cada 10 europeus não confiam nas tecnológicas norte-americanas e quase 9 em cada 10 rejeitam as chinesas, segundo uma nova sondagem que expõe a crise de confiança na gestão de dados pessoais.

Patrícia Moura Pinto

Uma nova sondagem revela um cenário preocupante para as grandes tecnológicas internacionais: a esmagadora maioria dos europeus não confia nas empresas dos Estados Unidos e da China para gerir os seus dados pessoais.

De acordo com o POLITICO, mais de 8 em cada 10 europeus afirmam não confiar nas empresas tecnológicas norte-americanas no que diz respeito ao tratamento responsável de dados pessoais. O nível de desconfiança é ainda mais elevado em relação às empresas chinesas.

Cerca de 84% dos inquiridos dizem não confiar nas empresas dos Estados Unidos, enquanto 93% demonstram desconfiança face às tecnológicas chinesas. Estes números refletem uma crescente preocupação com a privacidade e a segurança da informação na Europa.

Europa aposta em tecnologia própria

Este estudo surge numa altura em que a Europa está a reforçar a sua estratégia de autonomia tecnológica, investindo em áreas como inteligência artificial, serviços cloud e telecomunicações. O objetivo passa por reduzir a dependência de gigantes tecnológicos estrangeiros, sobretudo dos EUA e da China.

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Apesar da maior confiança nas empresas europeias, os dados mostram que essa confiança ainda está longe de ser total. Apenas 51% dos inquiridos afirmam confiar nas empresas tecnológicas europeias para lidar com os seus dados pessoais. Já os governos nacionais recolhem ainda menos confiança, com 45% dos europeus a considerarem que estes tratam a informação de forma responsável.

Diferenças entre países europeus

A análise por país revela diferenças significativas. A Alemanha destaca-se como o país mais desconfiado: 91% dos alemães não confiam nas empresas norte-americanas e 98% rejeitam as chinesas.

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Por outro lado, a Polónia apresenta níveis de confiança relativamente mais elevados, com 38% dos inquiridos a confiar em empresas dos EUA e 20% nas chinesas.

Na Bélgica, as empresas europeias são vistas de forma mais positiva, com 59% dos cidadãos a afirmar confiar no seu tratamento de dados.

Regulamentação europeia e preocupações legais

Segundo o Politico, todas as empresas que processam dados de cidadãos europeus são obrigadas a cumprir as regras de privacidade da União Europeia, incluindo o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados.

No entanto, as empresas sediadas fora da Europa enfrentam desafios adicionais. Nos Estados Unidos e na China, a legislação nacional pode obrigar as empresas a fornecer dados às autoridades, o que levanta preocupações entre tribunais e reguladores europeus.

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Metodologia do estudo

O inquérito foi realizado pela Cluster17 para o Politico e a beBartlet, entre 13 e 21 de março, envolvendo 6.698 participantes de seis países: Espanha, Alemanha, França, Itália, Polónia e Bélgica.

Os resultados reforçam uma tendência clara: a confiança dos europeus na gestão de dados pessoais continua a ser um desafio crítico, especialmente no contexto global da tecnologia.

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