Quarenta dias após a morte de Ali Khamenei, o Irão continua a funcionar sem sinais públicos do seu sucessor, Mukhtaba Khamenei, alimentando um dos maiores enigmas políticos da atual guerra no Médio Oriente. A informação é avançada pelo ‘El País’, num contexto de rumores contraditórios sobre o estado de saúde e o paradeiro do novo líder supremo.
Apesar de Teerão garantir que “tudo está sob controlo” e que o líder está em “perfeita saúde”, não há qualquer aparição pública, imagem ou gravação de voz desde o final de fevereiro — nem mesmo após a sua nomeação oficial em março.
Entre rumores de doença e silêncio absoluto
Nos bastidores, multiplicam-se versões divergentes. Um alegado memorando de serviços de informação citado pela imprensa internacional aponta para um cenário grave, sugerindo que o líder poderá estar inconsciente e incapaz de governar.
Outras fontes indicam que estará a ser tratado em Qom, enquanto circulam especulações sobre a sua possível incapacidade — ou até morte. Nenhuma destas versões foi confirmada.
Ao mesmo tempo, discursos atribuídos ao líder continuam a ser divulgados pelas autoridades, lidos por apresentadores ou partilhados nas redes sociais, reforçando a narrativa oficial de continuidade.
Regime resiste sem rosto visível
Apesar da ausência do líder, o sistema político iraniano mantém-se operacional. Analistas apontam para a existência de uma liderança coletiva que assegura o funcionamento do regime, composta por figuras-chave do Governo, do parlamento, do sistema judicial e das forças militares.
Esta estrutura, que já existia nos últimos anos de vida de Ali Khamenei, permite evitar um vazio de poder — precisamente o cenário que Estados Unidos e Israel procurariam criar ao eliminar a liderança suprema.
Guerra de narrativas em curso
A incerteza sobre o estado do líder tornou-se também uma ferramenta política. Washington tem alimentado a ideia de um Irão fragilizado e sem comando claro, enquanto Teerão insiste na estabilidade e no controlo da situação.
Declarações de responsáveis americanos chegaram a descrever o líder como ferido, em fuga e sem legitimidade, reforçando a perceção de crise no topo do regime.
Por outro lado, a República Islâmica tenta projetar uma imagem de continuidade, sublinhando que nunca houve um vazio institucional — nem mesmo após a morte do anterior líder.
Um regime habituado a sobreviver
A atual situação não é inédita. O sistema iraniano já funcionou no passado com liderança coletiva em momentos de fragilidade do líder supremo, mantendo a estabilidade política.
A diferença, apontam especialistas, está no peso crescente das forças militares e, em particular, da Guarda Revolucionária, que hoje desempenham um papel mais central nas decisões estratégicas.




