Portugal está entre os países mais “ricos” em ouro por habitante — e o metal volta a disparar

Depois da pior queda semanal desde 1983, o ouro voltou a ganhar força nos mercados internacionais e reacendeu as atenções sobre o papel do metal precioso nas reservas dos bancos centrais

Executive Digest

Depois da pior queda semanal desde 1983, o ouro voltou a ganhar força nos mercados internacionais e reacendeu as atenções sobre o papel do metal precioso nas reservas dos bancos centrais. A recuperação surge numa altura em que algumas projeções admitem uma nova escalada dos preços ao longo de 2026, num contexto em que o ouro continua a ser visto como porto de abrigo em tempos de incerteza geopolítica e financeira.

A análise da ‘BestBrokers‘ mostra que Portugal está entre os países com maiores reservas de ouro por habitante, num dado que volta a colocar o país em destaque no mapa global do metal precioso. Em fevereiro de 2026, Portugal detinha 382,66 toneladas de ouro, o equivalente a 36,81 gramas por cidadão, um valor que o coloca acima de economias como Espanha e Reino Unido e muito próximo de França. Ao mesmo tempo, o ouro representa 80,1% das reservas totais nacionais, sinal de um peso muito expressivo deste ativo no balanço do Banco de Portugal.

Num momento em que os preços do ouro voltam a subir, este posicionamento dá a Portugal uma relevância acrescida. A leitura per capita mostra que o país está no grupo cimeiro a nível internacional, apenas atrás de países como Suíça, Líbano, Itália ou Alemanha. Em termos práticos, a reserva portuguesa equivale a cerca de 12 pequenas moedas de ouro por habitante, um retrato que ajuda a perceber a dimensão relativa das reservas nacionais.

A própria ‘BestBrokers’ sublinha que “os bancos centrais continuam a sua sequência de compras de ouro, impulsionados por um conjunto de motivos estratégicos”, mesmo apesar da volatilidade recente. A conclusão ajuda a explicar por que motivo o metal continua no centro da estratégia de vários países, ainda que com ritmos diferentes entre compradores e vendedores.

No caso português, a estratégia parece ser de estabilidade. Portugal não surge entre os grandes compradores de 2025 ou do arranque de 2026, mas também não aparece entre os países que decidiram vender parte relevante das suas reservas. Isso significa que, enquanto outros bancos centrais ajustam posições para responder a pressões orçamentais ou de liquidez, Lisboa tem mantido intacto um dos maiores stocks de ouro da Europa em termos relativos.

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O contraste com o exterior é evidente. A Polónia continua a liderar as compras e reforçou de forma agressiva as suas reservas nos últimos dois anos, enquanto a Rússia e a Turquia surgem entre os principais vendedores no início de 2026. Já a França chamou a atenção por outra razão: o Banque de France concluiu um longo processo de uniformização das suas reservas, substituindo as últimas 129 toneladas associadas a Nova Iorque por barras standard LBMA registadas em Paris. Essa operação gerou um ganho contabilístico estimado entre 12 e 13 mil milhões de euros e ajudou a impulsionar os resultados do banco central francês.

O pano de fundo ajuda a perceber por que motivo o ouro voltou a acelerar. Em 2025, o metal teve um ano excecional, com uma subida de 64%, a maior desde 1979, apoiada pela procura de ativos-refúgio, pelas expectativas de política monetária mais acomodatícia nos Estados Unidos, pelas compras dos bancos centrais e por entradas recorde em ETF ligados ao ouro. A tendência prolongou-se para o início de 2026, ainda que com mais oscilações.

A ‘BestBrokers’ nota também que “o ouro continua a desempenhar um papel estratégico e altamente valorizado como componente das reservas nacionais”, num sinal de que o metal continua a ser tratado como uma proteção contra choques externos, flutuações cambiais e instabilidade internacional. Para Portugal, esse enquadramento tem uma leitura particularmente relevante: sem estar entre os países mais ricos ou mais populosos, o país surge, ainda assim, entre os mais bem posicionados quando a comparação é feita por habitante.

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Num mundo em que o ouro voltou a afirmar-se como um dos ativos de eleição em períodos de turbulência, Portugal aparece assim num lugar de relevo. Não por estar a comprar mais do que os outros, mas por já ter acumulado uma reserva muito expressiva, que hoje ganha novo peso num contexto de valorização do metal e de incerteza global.

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