“O mercado ainda não acredita na paz”: especialista alerta para energia refém do Médio Oriente

Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, explicou como os investidores continuam cautelosos mas sobretudo como será a evolução dos preços

Francisco Laranjeira

O anúncio do cessar-fogo no Médio Oriente trouxe um alívio imediato aos mercados energéticos — mas não dissipou as dúvidas. Para Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, os investidores continuam cautelosos e a evolução dos preços dependerá sobretudo do que acontecer nos próximos dias no terreno.

“O petróleo já caiu — mas a volatilidade continua”

A reação foi rápida. Segundo o analista, em declarações em exclusivo à ‘Executive Digest’, o impacto nos mercados fez-se sentir logo após o anúncio da trégua.

“O cessar-fogo já está a impactar os preços da energia. O petróleo voltou a negociar abaixo dos 100 dólares por barril e os futuros do gás natural europeu registaram uma queda de cerca de 20% no arranque da sessão de quarta-feira.”

Ainda assim, o alívio pode ser enganador. “Os preços deverão manter-se voláteis, refletindo a incerteza em torno das negociações e o risco de novos desenvolvimentos no Golfo Pérsico”, alerta.

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Mesmo num cenário mais estável, o regresso aos níveis anteriores ao conflito não será imediato.

“A descida pode ser apenas temporária”

A grande questão é perceber se este alívio veio para ficar — ou se se trata apenas de uma reação momentânea.

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Para Henrique Valente, tudo depende de um ponto crítico: o Estreito de Ormuz. “O mercado estava a incorporar um cenário de escalada, incluindo riscos de disrupção prolongada nesta rota crítica, e essa probabilidade diminuiu.”

Mas há um fator que continua a pesar: “A ausência de garantias quanto à normalização total do tráfego mantém um prémio de risco nos preços.”

Negociações podem travar queda dos preços

O processo diplomático está longe de ser linear e poderá voltar a pressionar os mercados. “Numa primeira análise, os termos apresentados pelo Irão parecem exigentes e poderão ser contestados ao longo do processo negocial”, explica o analista. “Persistem dúvidas quanto à disposição dos EUA para aceitar algumas dessas condições.”

O cenário mais provável? “Avanços e recuos”, diz Henrique Valente, apontando a evolução das negociações como o principal fator a determinar o comportamento dos mercados energéticos no curto prazo.

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“Pode aliviar a inflação — mas só se a trégua durar”

Para os consumidores, a evolução dos preços da energia será determinante nos próximos meses. “Uma eventual estabilização duradoura do conflito tenderia a reduzir o prémio de risco incorporado nos preços da energia”, explica. Esse movimento poderia traduzir-se, com o tempo, “num regresso gradual aos níveis observados antes do conflito”.

O impacto seria direto: menor pressão nos combustíveis, na eletricidade e, sobretudo, na inflação.

Num contexto económico já marcado por sinais de abrandamento, esse efeito funcionaria como “uma almofada adicional”, ajudando a aliviar os custos para famílias e empresas.

Para já, a leitura dos mercados é clara: o cessar-fogo trouxe algum alívio, mas não confiança total. Os preços recuam, mas a incerteza continua a ditar o ritmo — e qualquer novo desenvolvimento no Médio Oriente poderá inverter rapidamente a tendência.

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