Mundo pode ficar sem petróleo? Guerra já retira 20% do crude e ameaça “abril negro”

Análise do Goldman Sachs aponta para um cenário de forte disrupção no mercado global, com cerca de 20% do petróleo mundial a ser retirado diariamente devido às limitações no estreito de Ormuz

Revista de Imprensa

A guerra no Médio Oriente voltou a colocar no centro do debate uma questão antiga — o chamado “peak oil” —, mas agora com um sentido mais urgente: não quando o petróleo vai acabar, mas quando poderá faltar de forma imediata. A análise do Goldman Sachs, citada pelo ‘Jornal de Negócios’, aponta para um cenário de forte disrupção no mercado global, com cerca de 20% do petróleo mundial a ser retirado diariamente devido às limitações no estreito de Ormuz.

O impacto ainda não foi totalmente sentido nos primeiros dias do conflito, sobretudo por causa da logística do setor. Como o transporte de crude por petroleiro pode demorar cerca de um mês, os carregamentos realizados antes da guerra continuaram a chegar aos destinos ao longo de março, atenuando temporariamente a escassez.

O atraso que esconde o choque

Apesar desse “amortecedor”, os sinais de pressão estão a intensificar-se. À medida que as importações diminuem e os stocks começam a cair, vários países — sobretudo na Ásia — poderão enfrentar dificuldades mais visíveis no abastecimento.

Segundo os analistas, os países asiáticos (excluindo a China) partiam já de níveis de reservas mais baixos, com cerca de um mês de consumo, bem abaixo dos cerca de 50 dias registados na Europa. Esta fragilidade é agravada pelo facto de a região depender fortemente do golfo Pérsico, que assegura cerca de metade do abastecimento de produtos refinados.

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Ainda assim, algumas economias estão melhor preparadas para resistir ao choque. Países com grandes reservas estratégicas, como China e Japão, têm maior capacidade para compensar a quebra nas importações, recorrendo a stocks acumulados e à produção interna.

Preços disparam — e revelam o risco

Se a escassez física ainda está a emergir, os preços já refletem a tensão. Desde o início do conflito, os combustíveis têm registado subidas acentuadas, sobretudo o gasóleo e o combustível de aviação.

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De acordo com o Goldman Sachs, os preços grossistas destes produtos aumentaram, em média global, entre 130 e 140 dólares por barril (cerca de 120 a 130 euros), o que corresponde a uma subida de aproximadamente 150%.

Este aumento não reflete apenas a falta imediata de oferta, mas também um efeito preventivo: países e empresas estão a reforçar reservas por precaução, intensificando ainda mais a pressão sobre os preços.

Governos já reagem à escassez

O impacto começa também a sentir-se ao nível das decisões políticas. Em vários países surgem sinais de racionamento e medidas de contenção.

A Coreia do Sul já limitou a utilização de veículos do setor público, enquanto nas Filipinas foi declarada emergência nacional de combustível. Na Índia e na Tailândia, o tema domina o noticiário, refletindo a crescente preocupação com a disponibilidade de energia.

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Estas respostas antecipam um cenário mais grave caso o bloqueio no estreito de Ormuz se prolongue.

“Abril negro” à vista

O alerta mais duro surge da Agência Internacional de Energia. O seu diretor executivo, Fatih Birol, admite que a situação pode deteriorar-se rapidamente se não houver uma solução no curto prazo.

Se o bloqueio persistir, o mundo poderá enfrentar um “abril negro”, marcado por um choque energético com consequências económicas significativas.

A equação é simples — e preocupante: menos petróleo disponível, preços em forte alta e uma economia global altamente dependente desta matéria-prima. Se o fluxo não for restabelecido rapidamente, o impacto deixará de ser apenas uma ameaça para se tornar realidade.

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