O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, está envolvido em mais uma polémica, desta vez por alegadamente preferir ter amigos íntimos ao seu lado, na justiça e nas forças policiais do país. Isto porque o responsável decidiu que Alexandre Ramagem, um amigo de longa data do seu filho Carlos Bolsonaro, iria substituir Maurício Valeixo, no cargo de director geral da polícia federal.
Para além disso, Jorge Oliveira, outro amigo íntimo da família Bolsonaro, será nomeado, ao que os órgãos de comunicação social brasileiros indicam, para assegurar a pasta da justiça e da segurança, que era até então liderada por Sergio Moro, que se demitiu na sequência da saída de Valeixo.
Actualmente Jorge Oliveira, um advogado e polícia já reformado, está encarregue da pasta da secretaria e presidência, tendo sido também assessor de Eduardo Bolsonaro, o terceiro filho do presidente brasileiro. O pai de Oliveira foi ainda chefe de gabinete de Jair Bolsaro, na altura em que ele ainda era deputado, durante 20 anos.
Já Alexandre Ramagem ocupa actualmente o cargo de director da agência de informação do Brasil, a Abin, tendo sido também responsável pela equipa de segurança do candidato Jair Bolsonaro, nas presidenciais de 2018. Chegou ao posto na Abin depois de um lobby do deputado Eduardo e do senador Flávio Bolsonaro, também sob investigação de corrupção e associação criminosa, entre outros crimes.
«É fundamental ter uma equipa que dispõe não só de tecnologia de ponta, à frente daquelas usadas por marginais, mas também de pessoal qualificado, que tenha a visão, a percepção, a iniciativa de identificar o que é importante, para alimentar o presidente da República e toda sua equipa», disse Flávio na posse de Ramagem na Abin.
Ramagem é também muito próximo do outro filho de Bolsonaro, Carlos, que partilhou nas redes sociais fotografias dos dois em momentos de descontracção.
Recorde-se que o ministro da Justiça do Brasil, Sergio Moro, anunciou na sexta-feira que pediu demissão do cargo que ocupou por 16 meses, após uma série de controvérsias que dificultaram a sua permanência no Governo do Presidente Jair Bolsonaro.
A demissão de Moro aconteceu na sequência da exoneração do chefe da Polícia Federal brasileira, Maurício Leite Valeixo, efectivada hoje. Valeixo era amigo pessoal e homem de confiança do ministro, ambos trabalharam juntos durante a operação Lava Jato.
Moro afirmou que a decisão «foi inevitável» depois de o presidente brasileiro retirar Maurício Valeixo da directoria-geral da Polícia Federal.





