O mercado acionista português voltou a demonstrar resiliência em março, num contexto internacional marcado por forte instabilidade. De acordo com a análise da Maxyield, o índice nacional PSI recuou 1,6% no mês, uma queda significativamente inferior à verificada nos mercados globais, fortemente penalizados pelo agravamento do conflito militar no Irão.

O índice global MSCI World registou uma descida de 6,6% em março, anulando os ganhos acumulados no início do ano e recuando para níveis de novembro de 2015. A escalada geopolítica e o consequente choque petrolífero alimentaram receios de novas pressões inflacionistas e de um eventual ciclo de subida das taxas de juro, penalizando os mercados internacionais.
Na Europa, o cenário foi igualmente negativo, com uma queda mensal de 8% e uma variação anual de -1,5%. Também os mercados norte-americanos e asiáticos apresentaram desempenhos mensais negativos, ainda que com resultados anuais mistos.
Apesar deste enquadramento adverso, o PSI encerrou março nos 9.131,6 pontos e mantém uma valorização de 10,5% desde o início do ano, evidenciando um desempenho superior ao de outros mercados, nomeadamente o espanhol. Em termos homólogos, o índice português acumula mesmo uma subida de 33%.
O mês ficou marcado por elevada volatilidade, com o PSI a negociar durante largos períodos abaixo do nível de suporte dos 9.000 pontos, embora tenha conseguido recuperar na reta final. Ainda assim, a queda mensal foi bem mais contida do que a registada a nível global.
A análise da Maxyield destaca também a forte dispersão de resultados entre cotadas. Em março, apenas cinco empresas registaram ganhos, com destaque para a Galp (+15,3%), a NOS (+5,6%) e a EDP Renováveis (+2,5%). No lado oposto, a Teixeira Duarte liderou as perdas (-19,1%), seguida dos CTT (-15,4%) e da Mota-Engil (-14,9%), evidenciando um mês de forte volatilidade, sobretudo nestes títulos.
No acumulado do ano, o PSI continua em trajetória de crescimento, sustentado por um “bull market” com cerca de seis anos, tendo escapado às tendências negativas que marcaram outros mercados em 2022 e, mais recentemente, em 2025 nos Estados Unidos. A Galp lidera os ganhos anuais (+43,6%), seguida da NOS (+35,5%) e da Sonae (+18,7%), enquanto a Teixeira Duarte apresenta a maior queda (-35,4%).

A evolução das valorizações também levanta alguns alertas. O rácio PER do PSI mantém-se em níveis elevados, refletindo um crescimento das cotações superior ao dos lucros por ação, o que poderá indiciar algum sobreaquecimento do mercado, ainda que parcialmente corrigido em março.
Por outro lado, a atividade bolsista em Lisboa continua a ganhar dinamismo. O volume médio diário transacionado aumentou de 186,8 milhões de euros em janeiro para 224,8 milhões em fevereiro, mantendo um crescimento mais moderado de 2% em março. Este aumento tem sido impulsionado pela maior presença de investidores institucionais e estrangeiros, atraídos pela valorização das cotadas e pelas perspetivas associadas à época de dividendos.
Já o PSI Geral, que inclui também empresas de menor capitalização, registou uma descida mais ligeira de 0,4% em março, refletindo uma menor volatilidade face ao índice principal.




