O Estado está a requisitar civilmente máscaras que teriam como destino lares no interior do País. Segundo adianta a revista Sábado, máscaras encomendadas por privados foram desviadas, afectando o fornecimento de materiais de protecção a estas instituições, bem como a unidades de cuidados continuados.
Um relato vindo de Ferreira do Alentejo dá conta de que há mais de uma semana que as funcionárias do lar e unidade de cuidados continuados desta localidade não têm acesso a máscaras cirúrgicas para o desempenho das suas funções. Segundo o provedor da Misericórdia local, citado pela Sábado, é «uma situação de alto risco para elas e para os utentes».
O provedor da Misericórdia explica que a falta de materiais se «deve ao facto de a última encomenda de equipamento de protecção individual ter sido desviada à chegada a Portugal, ao abrigo do Estado de Emergência».
Chegando a Moura, o cenário é semelhante mas não tão grave, uma vez que os trabalhadores ainda têm acesso as máscaras graças à administração do lar que conseguiu adquirir material avulso numa loja chinesa. «Foi assim que nos safámos», conta a provedora, ressalvando que o que foi possível comprar é irrisório para as necessidades.
Segundo a mesma publicação, é ao nível local que “guerra das máscaras” se faz sentir mais. O presidente do Secretariado Regional de Beja da União das Misericórdias Portuguesas nota que «é aqui, no terreno, que se percebe que as coisas estão a falhar». Francisco Ganhão sublinha que «a situação é realmente grave e já ninguém se entende quando é o próprio Estado a desviar as encomendas das pequenas unidades de apoio aos idosos». O presidente afirma ainda que os fornecedores estão a demorar muito tempo nas entregas.





