Apresentar um carro não é só mostrá-lo: os bastidores que fazem (ou destroem) uma marca

Jorge Farromba aponta que se correr bem era o expectável… mas se correr mal o impacto negativo é enorme!

Jorge Farromba

Quando uma empresa decide fazer uma apresentação pública ou uma marca de automóveis a apresentação de um modelo ou marca talvez não se imagine a complexidade do processo.

Se correr bem era o expectável… mas se correr mal o impacto negativo é enorme!

Por mais experiência que se tenha, guiões pré-feitos, o ponto de partida é quase sempre uma folha em branco onde é necessário ver o que comunicar, como comunicar e a quem comunicar!

Não interessa saber o impacto no momento mas no futuro! E isso faz toda a diferença. Desde logo, uma marca de automóveis ao comunicar para jornalistas do meio tem de se assegurar que capta a atenção dos mesmos, pois eles conhecem toda a concorrência e estão ali para relatar factos. E cada marca compete num Oceano Vermelho, ao invés de um Oceano Azul (ver estratégia do Oceano Azul)

Existe contudo, um script tradicional: um elemento que faz a apresentação (normalmente da estrutura do topo – um C-Level) para mostrar o envolvimento e a importância  do momento; vários intervenientes, desde o diretor de marketing, diretor de produto, parceiros da marca, grupo que suporta a rede de distribuição – principalmente nas marcas asiáticas (algo que as marcas dão muita atenção ao garantir espaços para manutenção em todo o país, com a formação necessária e com o stock de peças necessário para assegurar rapidez e criar uma boa relação com o cliente final que, hoje mais do que nunca não é fácil de reter, fidelizar e manter leal à marca!

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Cada apresentação tem de ser impactante com o PowerPoint que não pode debitar somente números; hoje temos apresentações dinâmicas do produto com recurso a experiências imersivas.

Depois existe o backoffice – arranjar o espaço, o catering, o contacto com todos os jornalistas, a confirmação dos mesmos, a preparação de kits de imprensa e sempre que possível acontece um test drive ao modelo, num modelo que incorpore o ADN do produto, ou seja se é um citadino, um percurso de cidade se é outro tipo integrar um percurso e, como existem muitos jornalistas diferentes, criar três percursos alternativos para cada um escolher o que mais lhe interessa

Cada marca decide se quer ter uma empresa de comunicação a fazer tudo isto ou o faz internamente. O resultado final tem sempre de exceder as expetativas, garantir e testar, fazer as confirmações e confirmado o dia tudo acontece a um ritmo impressionante para nada falhar.

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O jornalista chega e tem de haver alguém que o receba no parque de estacionamento e quando entra para a zona de apresentação, ter o staff necessário para o check-in, garantir que os responsáveis da marca estejam ali para receber, ter as viaturas tapadas, o palco montado com câmaras, televisões etc e todo o branding da marca.

Não há lugar para improvisos porque o público alvo – os jornalistas conhecem todas as marcas e todos os produtos e hoje (e os estudos e tendências demonstram) não vale a pena colocar somente números no ecrã mas autenticidade, experiência a bordo, usabilidade, inovação e sobretudo diferenciação face à concorrência.

Não é uma tarefa fácil e, muitas vezes funciona como o aeroporto da Madeira; só alguns pilotos podem lá aterrar, nem que seja após várias tentativas. Mas é mesmo isso que torna tudo interessante, pois o médico, o informático tem idênticas situações. O que nos diferencia? A nossa capacidade de resistir, inovar e aprender com o erro.

Por vezes o caminho óbvio nem é o melhor. Um exemplo real; um banco atende telefonicamente dois clientes ao mesmo tempo. Um tem imenso dinheiro mas só vem fazer perguntas. O outro quase não tem dinheiro mas traz contactos, humanização e promove a marca. Qual é atendido primeiro?

No final do dia extremamente cansativo o palco não fecha porque é preciso recolher o feedback de cada jornalista, formal ou informalmente para perceber onde se falhou onde se inovou e que propostas melhorias já ali foram detetadas no produto que foi apresentado.

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Se, no final do dia tivemos passado pouco despercebidos é sinal que o nosso trabalho foi bom e que o jornalistas têm matéria para trabalhar e passar ao seu público alvo

Texto escrito de quem está nos dois lados da barricada – como professor universitário e também como jornalista onde a minha atenção aos detalhes ainda é maior mas onde também aprendo em cada uma delas e que nos casos interessantes promovo e apresento nas minhas aulas, onde ainda acrescento o trabalho de casa (investigação) fundamental antes de qualquer apresentação.

No final do dia, quem ganha é o consumidor final!

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