Embora os choques geopolíticos raramente desestabilizem os mercados por muito tempo, a Allianz Global Investors alerta que determinados fatores podem transformar a volatilidade temporária em stress económico significativo.
De acordo com a análise da gestora, baseada em sete décadas de história financeira, a maioria dos eventos geopolíticos provoca apenas reações breves nos mercados, com quedas temporárias nas ações e ganhos modestos em obrigações e ouro. No entanto, situações que se traduzem em efeitos na economia real, como choques no preço do petróleo, perturbações nas cadeias de abastecimento, enfraquecimento da confiança ou aperto das condições financeiras, tendem a causar correções mais profundas e duradouras.
“Os investidores devem olhar menos para as manchetes geopolíticas e mais para os sinais da economia real que determinam se a volatilidade se torna persistente”, refere o estudo da Allianz Global Investors.
Entre os episódios analisados, dois fatores destacam-se como determinantes para que a instabilidade se torne mais grave:
- Choques no preço do petróleo: Guerras como a do Yom Kippur em 1973 e a invasão do Kuwait em 1990 provocaram aumentos de 50% ou mais nos preços do crude em poucos meses, pressionando inflação e crescimento económico. O atual conflito no Médio Oriente mantém o setor energético no centro das atenções.
- Impactos na economia real: Quando os choques geopolíticos se propagam para a confiança dos consumidores e empresas, restrições financeiras ou disrupções nas cadeias de abastecimento, os mercados acionistas tendem a registar perdas mais profundas e prolongadas.
A Allianz Global Investors identifica quatro canais-chave que os investidores devem monitorizar: choques de energia, interrupções nas cadeias de abastecimento, aperto das condições financeiras e deterioração do sentimento macroeconómico. A interação simultânea destes fatores aumenta significativamente o risco de recessão ou correções duradouras.
A gestora sublinha ainda que ativos considerados refúgios – como o ouro, os títulos do Tesouro norte-americano e o dólar – apresentam comportamentos distintos dependendo da profundidade do choque. O ouro tem sido a proteção mais consistente, especialmente quando o aumento do risco geopolítico coincide com recessões, enquanto os títulos do Tesouro ganham força sobretudo quando os bancos centrais reduzem taxas em resposta à fraqueza económica subjacente.
“Sete décadas de choques geopolíticos mostram que, na maioria dos casos, os mercados absorvem rapidamente os eventos, a menos que estes afetem a economia real. Quando o fazem, o impacto é muito mais severo”, conclui o relatório.














