Ferro Rodrigues: «Mesmo em Estado de Emergência, estamos em liberdade»

O presidente da Assembleia da República disse que «mesmo em Estado de Emergência, não vemos ser suspensa a democracia que somos, a democracia que Abril nos trouxe».

Filipa Almeida

«Mesmo em Estado de Emergência, estamos em liberdade», afirmou esta manhã Eduardo Ferro Rodrigues. Na Sessão Solene Comemorativa do 46.º Aniversário do 25 de Abril de 1974, o presidente da Assembleia da República disse que «mesmo em Estado de Emergência, não vemos ser suspensa a democracia que somos, a democracia que Abril nos trouxe».

Lembra ainda que a Assembleia da República não deixou de funcionar e que não fechou as suas portas. Enquanto órgão de soberania, manteve intactos os seus poderes, que diz serem determinantes para dar resposta a esta crise: foi o que permitiu, aliás, criar novas regras sobre o endividamento das autarquias ou o regime excepcional sobre o pagamento das rendas. Sublinha também o poder de fiscalização da actuação do Governo.

«Foi a Assembleia da República que autorizou que o Presidente da República decretasse o Estado de Emergência e que o pudesse renovar por duas vezes», diz ainda Ferro Rodrigues.

Sobre o facto de as comemorações do 25 de Abril estarem a decorrer no Parlamento – apesar de muita contestação e polémica – garante que a Assembleia de República tem sempre cumprido as regras de segurança e que, por isso, também hoje fazia todo o sentido estar em funcionamento: «E se não fechou as portas no passado, não faria sentido que não as abrisse hoje, 25 de Abril.»

Reunir hoje a Assembleia da República tem ainda outro propósito: homenagear quem tem permitido que o País não páre, que a economia não colapse e que o desemprego não dispare. Agradece, nesse sentido, a todos os profissionais que continuam a sair à rua – depois de já ter pedido um minuto de silêncio por quem perdeu a vida para o COVID-19 e de ter expressado a sua solidariedade para com quem se encontra hospitalizado e quem não pode contactar os seus mais próximos, confinados às suas residências ou instituições.

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Segundo o presidente da Assembleia da República, a crise que atravessamos, que começou por ser de saúde pública, atingiu agora outras dimensões, mas Portugal e os portugueses souberam disciplinar-se, cumprindo as recomendações das autoridades de saúde. «Ao fazerem-no, não sem sacríficio, estão a dar um preocioso contributo para atenuar a transmissão mais acelerada do novo coronavírus e, dessa forma, moderar alguns dos efeitos mais nefastos da pandemia.»

Num Parlamento significativamente mais vazio do que é habitual nesta data, Ferro Rodrigues afirmou ainda: «De uma coisa estou certo, Portugal e os portugueses estão vacinados contra a austeridade. Resta saber se a vacina tem 100% de eficácia.» Segundo o responsável, ao combate à pandemia junta-se uma luta contra as desigualdades e que garanta o desenvolvimento económico.

A resposta, garante, passa por tornar a democracia mais inclusiva, as instituições mais fortes e por promover a coesão dentro da União Europeia. O presidente da Assembleia da Republica vinca que «se não houversolidariedade europeia no período mais grave que os Estados-membros atravessam desde o final da II Guerra Mundial, o proejcto europeu deixará de fazer sentido».

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