Covid-19. Super e hipermercados com «número crescente» de infectados, denuncia Sindicato

Célia Lopes, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços, disse que existem «várias situações de agravamento do número de infectados», denunciando a falta de equipamentos de protecção para os trabalhadores.

Executive Digest

Célia Lopes, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços (CESP), disse, em entrevista à rádio “Observador” que existem «várias situações de agravamento do número de infectados» um pouco por todo o país, denunciando a falta de equipamentos de protecção para os trabalhadores.

«Tem sido crescente. Começa a ser muito crescente o número de trabalhadores infectados e em isolamento profilático», reiterou. «Recentemente, na zona de Lisboa, houve uma loja Pingo Doce com 26 casos positivos. A loja foi encerrada para desinfecção e reabriu passado dois dias com equipa praticamente nova».

Perante casos positivos, «aquilo que acontece é serem enviados apenas dois ou três trabalhadores para isolamento profilático. Todos os outros continuam ao serviço», explicou, acrescentando que os restantes «não entendem».

Quantos aos equipamentos de protecção para os trabalhadores, Célia Lopes contou que, nesta semana, houve «um local de trabalho em que as máscaras atribuídas aos trabalhadores eram de um produto que parecia papel».

Questionada sobre se os trabalhadores se recusam a ir trabalhar, adiantou que «há a vontade, mas não podem fazer isso», pois podem incorrer em faltas injustificadas e processo disciplinar. «Os doentes de risco neste sector são obrigados a ir trabalhar, senão tiverem baixa médica. E há milhares», lamentou.

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A líder sindicalista defendeu ainda o encerramentos dos supermercados no 1.º de Maio. «Historicamente, os super e hipermercados estavam encerrados no primeiro de Maio», mas «desde há cerca de 10 anos que houve um conjunto de empresas que começaram a abrir neste dia, retirando a obrigatoriedade do encerramento». Até então, «as lojas encerravam três vezes por ano: dia 1 de Maio, 25 de Dezembro e 1 de Janeiro», lembrou.

«Ao longo deste tempo, o sindicato tem emitido sempre pré-aviso de greve e na situação que vivemos hoje, perante o Estado de Emergência. E, como sabem, quer as empresas, como os trabalhadores e a própria população, ele limita a emissão do direito à greve para os trabalhadores dos chamados ‘sectores essenciais’, como é o caso das cadeias de abastecimento de produtos de primeira necessidade. Por isso, extraordinariamente este ano, o sindicato não está possibilitado a emitir pré-aviso de greve», sublinhou. Existem, contudo, «milhares que nunca trabalhadores no primeiro de Maio, ou porque as lojas estavam encerradas, ou porque nos anos seguintes fizeram greve neste dia, porque consideram que é um dia seu por direito».

«Apesar dos medos pessoais, os trabalhadores continuaram na linha da frente, mas não deixaram de ter medo. Há o receio de levarem o vírus para casa», lembrou ainda. Entende, por isso, o sindicato que «era também uma força as empresas – mais do que publicamente afirmarem que os seus colaboradores têm sido corajosos – darem-lhes este prémio ao decidirem encerrar». «Não é por fecharem um dia que os cidadãos portugueses vão deixar de obter os seus produtos de primeira necessidade», salientou Célia Lopes, acrescentando que algumas empresas com as quais falaram estavam a analisar o apelo feito.

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Nas últimas 24 horas, o número de casos de infecção por coronavírus subiu para 22.797, mais 444, e o de vítimas mortais para 854 (+34), revela o boletim da Direção-Geral da Saúde.

O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Press”, às 11 horas, a partir de dados oficiais, a pandemia de Covid-19 já provocou 190.989 mortos e infectou mais de 2,7 milhões de pessoas em 193 países e territórios, com mais de 720 mil doentes considerados curados.

 

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