Europa desenvolve minas inteligentes que detetam movimentos e comunicam entre si

Estas minas poderão vir a ser utilizadas ao longo das fronteiras com a Rússia, reforçando a segurança em zonas estratégicas

Patrícia Moura Pinto

Um consórcio que junta empresas da Polónia, Estónia e Ucrânia está a desenvolver uma nova geração de minas antipessoal com tecnologia avançada, capazes de comunicar entre si e detetar movimentos através de sensores. Segundo o Euromaidan Press, estas minas poderão vir a ser utilizadas ao longo das fronteiras com a Rússia, reforçando a segurança em zonas estratégicas.

O projeto é liderado pela empresa polaca MBF Group, em parceria com uma entidade estoniana e com apoio técnico ucraniano. Os protótipos já foram testados em condições reais, demonstrando viabilidade operacional.



Como funcionam as minas inteligentes

Estas minas distinguem-se das versões tradicionais por integrarem uma rede de comunicação encriptada. Através de rádio em malha, os dispositivos conseguem trocar informação entre si e com operadores humanos.

Equipadas com sensores sísmicos e acústicos, as minas conseguem detetar a presença de pessoas através de vibrações no solo ou sons. Em vez de detonarem automaticamente, podem enviar alertas às forças militares, permitindo uma avaliação adicional – por exemplo, com recurso a drones – antes de qualquer ação.

Outra característica relevante é a possibilidade de detonação remota, o que oferece maior controlo sobre o momento e o contexto de utilização. Além disso, estas minas podem também operar de forma autónoma, dependendo da configuração.

Produção e contexto geopolítico

A Ucrânia desempenha um papel importante no desenvolvimento e produção desta tecnologia. Uma empresa ucraniana, a Zmiyar, já criou sistemas semelhantes, incluindo um detonador inteligente que pode ser acoplado a minas convencionais. Este sistema permite ligar até 200 dispositivos a um único controlador.

Este avanço surge num contexto em que Polónia, Estónia e Ucrânia abandonaram, em 2025, a Convenção de Ottawa, que proíbe o uso de minas antipessoal. A decisão abre caminho ao desenvolvimento e eventual utilização destas novas soluções militares.

Além disso, autoridades polacas já indicaram a intenção de instalar campos de minas ao longo da fronteira com a Bielorrússia e o enclave russo de Kaliningrado, no âmbito do programa de defesa “Eastern Shield”.

Vantagens operacionais

As minas inteligentes oferecem maior flexibilidade em comparação com as tradicionais. Em vez de funcionarem apenas como armadilhas passivas, podem integrar-se em sistemas de vigilância mais amplos, contribuindo para operações militares mais controladas e estratégicas.

A capacidade de recolher informação e permitir decisões humanas antes da detonação pode reduzir riscos para alvos não intencionais. Esta abordagem representa uma evolução significativa na forma como os campos minados são utilizados.

Limitações e desafios

Apesar das vantagens, esta tecnologia apresenta também limitações. Um dos principais desafios é a durabilidade: segundo informações, alguns sistemas estão a ser desenvolvidos para funcionar durante cerca de 60 dias, um período inferior ao das minas convencionais.

Outro risco está relacionado com a guerra eletrónica. Por dependerem de comunicação sem fios, estas minas podem ser alvo de interferências ou ataques eletrónicos, o que compromete a sua eficácia.

O custo é também significativamente mais elevado. Enquanto uma mina tradicional pode custar menos de 100 dólares, sistemas inteligentes como os da Zmiyar podem atingir valores na ordem dos 3.500 dólares por conjunto inicial, com custos adicionais por unidade.

Um novo paradigma na guerra terrestre

O desenvolvimento destas minas inteligentes reflete uma tendência crescente de digitalização e automatização no campo militar. A combinação de sensores, comunicação em rede e controlo remoto poderá redefinir o papel dos campos minados nas estratégias de defesa europeias.

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