Covid-19. Empresas afetadas pela pandemia esperam em média 40 dias por apoios

As empresas que recorram às linha de apoio Covid-19 têm de apresentar, pelo menos, oito declarações e, na melhor das hipóteses, esperar 40 dias desde o dia do pedido de ajuda.

Sónia Bexiga

A burocracia está a obrigar os empresários, candidatos aos 6,2 mil milhões de euros disponibilizados para responder à crise da covid-19, a percorrer “um calvário” de nove fases que pode demorar, no mínimo, 40 dias, desde o pedido de ajuda até que o dinheiro seja disponibilizado na suas contas, noticia o ‘CM’.

Sobre este montante, os bancos são unânimes em considerar que é insuficiente este montante e têm vindo a apontar alguns problemas, nomeadamente sobre a primeira linha – Capitalizar Covid-19, com o valor de 400 milhões de euros, que se esgotou em poucos dias.

As empresas que recorram às linha de apoio Covid-19 têm de apresentar, pelo menos, oito declarações e, na melhor das hipóteses, esperar 40 dias desde o dia do pedido de ajuda para que o dinheiro possa estar disponível na tesouraria da empresa, segundo apurou a Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua (SPGM).

Todo este processo foi muito criticado pelos presidentes da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do Novo Banco (NB), ouvidos, quarta-feira, na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças. O presidente da CGD, Paulo Macedo, criticou a primeira linha pelo facto de não ter um prazo definido. A CGD tem 30 mil pedidos de moratórias (20 mil de particulares para crédito à habitação e consumo), no valor de 1,4 mil milhões de euros.

António Ramalho, do Novo Banco, deu o exemplo da primeira operação aprovada na instituição que lidera, que foi pedida no dia 17 de março por uma empresa de Leiria. O dinheiro chegou à conta do cliente no dia 6 de abril. O presidente do NB considera que todas as linhas de financiamento devem ser aumentadas, e revelou já ter aprovado financiamentos no valor de 621 milhões de euros, que dizem respeito a 1354 clientes.

Continue a ler após a publicidade

Importa reter que, na linha Covid-19, o setor da restauração foi o que apresentou mais pedidos de financiamento: 46,2% do total dos pedidos de ajuda. O setor é um dos mais afetados. Segundo a AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, em 81% dos casos as condições de financiamento foram impostas unilateralmente pelos bancos, sem negociação com os clientes. Cerca de 75% das empresas diziam não saber quando o dinheiro das linhas de crédito poderia estar disponível, perante a falta de informação por parte dos bancos, refere a AHRESP.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.