Na crise do petróleo, o carro elétrico protege a carteira: abastecer custa mais do dobro de carregar

Dados mostram uma diferença crescente de custos que pode acelerar a transição para a mobilidade elétrica na Europa

Automonitor

O agravamento dos preços do petróleo devido à crise com o Irão deverá ter um impacto muito mais pesado nos condutores de carros a gasolina do que nos utilizadores de veículos elétricos, revela uma análise da organização ‘Transport & Environment’ citada pelo ‘El Economista’. Os dados mostram uma diferença crescente de custos que pode acelerar a transição para a mobilidade elétrica na Europa.

Segundo a análise, quando o petróleo ultrapassa os 100 dólares por barril (cerca de 92 euros), abastecer um carro a gasolina poderá custar cerca de 14,2 euros por 100 quilómetros, mais 3,8 euros face a um cenário base. Já carregar um veículo elétrico rondaria os 6,5 euros por 100 quilómetros, um aumento muito mais moderado de apenas 0,7 euros.

Esta diferença evidencia o papel dos veículos elétricos como proteção face às oscilações do mercado energético. No caso das frotas empresariais, o impacto é ainda mais claro: o custo adicional mensal poderá atingir 89 euros por veículo a gasolina, enquanto nos elétricos se fica pelos 16 euros.

“Os condutores de carros a gasolina são muito afetados nos postos sempre que enfrentamos uma crise do petróleo”, afirmou Lucien Mathieu, diretor da área automóvel da ‘Transport & Environment’. “Os veículos elétricos são a melhor opção para evitar que estes episódios voltem a pesar tanto no bolso dos consumidores.”

A análise surge num momento decisivo para o setor automóvel europeu. Os ministros do Ambiente da União Europeia estão a avaliar possíveis alterações às metas de emissões de CO2 até 2030 e 2035, no âmbito do chamado pacote automóvel. A organização alerta que flexibilizar essas metas poderá atrasar a transição energética e prolongar a dependência do petróleo importado.

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De acordo com os dados citados pelo ‘El Economista’, a União Europeia deverá gastar cerca de 67 mil milhões de euros em petróleo importado para automóveis em 2025, o equivalente a mil milhões de barris. Em contrapartida, os cerca de 8 milhões de veículos elétricos já em circulação terão evitado a importação de 46 milhões de barris no ano anterior, gerando uma poupança estimada em 2,9 mil milhões de euros.

A médio prazo, o impacto pode ser ainda mais significativo. Um cenário regulatório mais ambicioso poderá permitir reduzir em 45 mil milhões de euros as importações de petróleo entre 2026 e 2035, em comparação com uma abordagem mais permissiva.

A organização defende também regras mais exigentes para frotas empresariais, consideradas essenciais para alimentar o mercado de usados. Segundo as estimativas, medidas mais rigorosas poderão colocar mais 3,6 milhões de veículos elétricos usados no mercado europeu até 2035.

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O estudo baseia-se num cenário de preços da gasolina próximos dos 2 euros por litro, semelhante ao registado durante a crise energética de 2022, o que representaria um aumento médio de 24% face a 2025. Já o preço da eletricidade deverá subir cerca de 12% no médio prazo, mantendo ainda assim uma vantagem clara para os veículos elétricos.

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