O banco Santander está a acelerar a sua estratégia na banca de investimento para consolidar a liderança em Espanha e ganhar escala na Europa, onde pretende entrar no grupo dos dez maiores bancos em fusões e aquisições a curto prazo. A aposta, detalhada pelo ‘El País’, passa por reforço de equipas, crescimento sustentado e uma abordagem integrada ao cliente que cruza várias áreas de negócio.
A área de Corporate & Investment Banking (CIB) do Santander fechou o último ano com 14.009 colaboradores, um aumento de 4,7% face a 2024. Este crescimento acompanha a transformação estratégica liderada por Ignacio Domínguez-Adame, responsável pela divisão na Europa, e posiciona a banca de investimento como um dos principais motores de expansão futura do grupo.
O objetivo é ambicioso: alcançar um lucro de 20 mil milhões de euros em 2028, sustentado por um crescimento anual entre 5% e 10% nas receitas da banca de investimento. A estratégia passa por tornar esta área transversal, com impacto direto nos restantes negócios do banco, nomeadamente na banca de empresas e na gestão de grandes fortunas.
“Oferecemos o aconselhamento, o financiamento para aquisições e, além disso, serviços de banca corporativa e comercial. Somos um banco de clientes que oferece soluções, não apenas produtos”, explica Jesús Quintanal, corresponsável europeu de Banking & Corporate Finance. O responsável sublinha ainda que o foco está em cerca de 2.000 clientes estratégicos na Europa, numa lógica de acompanhamento de longo prazo. “Santander está como parceiro de viagem das empresas em todas as fases da sua expansão”, acrescenta.
Os resultados reforçam esta estratégia. A banca de investimento do Santander registou um crescimento de 7% no lucro em 2025, atingindo 2.834 milhões de euros, com uma taxa de incumprimento de apenas 0,69% e receitas de comissões de 2.713 milhões de euros, segundo dados citados pelo ‘El País’. Apesar de representar apenas 7,1% da força de trabalho do grupo, esta divisão contribuiu com cerca de 20% do lucro total.
A liderança do banco, sob Ana Botín, vê nesta área um ativo estratégico, sendo que a aquisição do banco americano Webster deverá reforçar a presença nos Estados Unidos e impulsionar o crescimento internacional da banca de investimento.
O Santander já lidera o mercado de banca de investimento em Espanha, em conjunto com o JPMorgan, e pretende expandir essa posição. Tradicionalmente forte em setores como energia, telecomunicações e infraestruturas, o banco tem vindo a diversificar, incluindo áreas como aeroespacial e defesa, reforçando equipas com especialistas recrutados junto de concorrentes internacionais.
“Nossa ambição é continuar a liderar o mercado de fusões e aquisições na Península Ibérica e tornar-nos um dos principais bancos na Europa”, afirma Quintanal. Esta estratégia combina grandes operações com uma presença capilar no território, apoiada numa rede de mais de 1.600 balcões em Espanha.
O banco tem vindo a ganhar protagonismo em operações relevantes, tendo participado recentemente em transações como a compra da participação na MásOrange pela Orange, a aquisição da universidade Alfonso X el Sabio pela Cinven ou a venda da Urbaser pela Platinum, reforçando a sua posição no mercado.
O crescimento do Santander nesta área reflete também a crescente importância do capital de risco no mercado global de fusões e aquisições, onde os fundos de private equity assumem um papel central. Como refere o El País, o banco tem vindo a investir de forma consistente neste segmento, com o objetivo de assumir uma posição de liderança num mercado cada vez mais competitivo.














