Covid-19. Dos EUA à Europa, grandes empresas fecham trimestre com perdas provocadas pela pandemia

As americanas Delta Airlines e AT&T, aviação e telecomunicações, respetivamente, e ainda da sueca Ericsson e  da holandesa Heineken apresentaram os resultados trimestrais, na sua maioria já afetados pela pandemia da covid-19.

Sónia Bexiga

Numa altura em que se sucedem as divulgações dos resultados operacionais das grandes empresas europeias e norte-americanas, esta quarta-feira, foi rica em diversidade de setores de atividade em foco, e ficou particularmente marcada pelos números das americanas Delta Airlines e AT&T, aviação e telecomunicações, respetivamente, e ainda da sueca Ericsson e  da holandesa Heineken.

A companhia aérea Delta Air Lines anunciou prejuízos no primeiro trimestre depois de estar a perder 100 milhões de dólares por dia desde a queda abrupta das viagens devido à pandemia.

A Delta registou um prejuízo líquido de 534 milhões nos três primeiros meses do ano, perdendo, por ação, 51 centavos que comparam com as estimativas dos analistas de uma perda de 70 centavos por ação, neste trimestre.

Este é o primeiro registo da Delta de perda trimestral em mais de cinco anos. As receitas, sofrendo uma queda de 18% nos três primeiros meses do ano, ficaram-se pelos 8,6 mil milhões de dólares.

Segundo prevê o CEO, Ed Bastian, a receita do segundo trimestre provavelmente cairá 90% face ao mesmo período de 2019 e prevê uma longa recuperação, tendo já alertado os funcionários que a companhia aérea vai reduzir a equipa, no futuro.

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As companhias aéreas estão entre as empresas mais afetadas pelo coronavírus e as operadoras, incluindo a Delta, já receberam uma parcela dos 25 mil milhões em subsídios e empréstimos do governo de Donald Trump.

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Quanto à tecnológica Ericsson mantém seus objetivos para o período 2020-2022, apontando um “impacto limitado” da covid-19 e alerta que a Europa pode ficar para trás no 5G.

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Porém, a  fabricante sueca de redes e equipamentos de telecomunicações Ericsson obteve um lucro líquido atribuível de 2.156 milhões de coroas suecas (197 milhões de euros) no primeiro trimestre de 2020, o que representa uma queda de 6,9% em comparação com o resultado do mesmo período de 2019, conforme relatado pela empresa.

O volume de negócios da Ericsson, de janeiro a março, totalizou 49,750 milhões de coroas (4,538,000 euros), 1,7% mais do que no primeiro trimestre de 2019, tendo aumentado 11% na América do Norte, a 17.900 milhões de coroas (1.633 milhões de euros), mas uma queda de 7% na Europa e na América Latina, para 12.200 milhões de coroas (1.113 milhões de euros).

“A Ericsson registou um forte resultado no primeiro trimestre, com impacto limitado da pandemia do Covid-19”, disse Börje Ekholm, presidente e CEO da empresa, que destacou a melhoria da margem bruta para 40, 4% contra 38,5% no primeiro trimestre de 2019.

Ekholm expressou ainda a sua preocupação com possíveis atrasos no investimento em 5G na Europa, o que implica que “a Europa pode ficar para trás na infraestrutura digital essencial para o futuro”, como tem sido evidenciado durante a pandemia, razão pela qual enfatizou a necessidade dos governos encorajarem investimentos em 5G como forma de reanimar as economias.

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Também a Heineken registou uma queda de 2,1% nos volumes de cerveja vendidos durante o primeiro trimestre do ano em todo o mundo, uma redução que se deve” inteiramente à quebra do mercado em março, onde a queda nos negócios foi de 14%, devido às medidas de contenção adotadas por muitos países, especialmente europeus, para lidar com a covid-19″, explica a empresa, em comunicado.

A holandesa anunciou um lucro líquido de 94 milhões de euros no primeiro trimestre de 2020, o que traduz uma quebra na ordem dos 68,6% face ao mesmo período de 2019.

O impacto das medidas adotadas face à pandemia foi grande na vizinha Espanha, um dos mercado fortemente afetado pela pandemia. Neste mercado, os volumes de cerveja vendidos entre janeiro e março, caíram cerca de 5% em comparação com o mesmo período de 2019.

Contudo, a queda dos negócios foi ainda maior na Itália, porque o confinamento começou mais cedo. A Heineken perdeu 33% de seu volume em março neste país, enquanto em outros mercados como a França ou o Reino Unido a queda foi muito menor, em torno de 5%. A empresa explica que, na Europa como um todo, suas vendas caíram 1,4% no trimestre e 15,3% em março.

Os EUA, principal mercado da empresa em volume, comportaram-se de maneira semelhante, com queda de 2,5% no trimestre e 13,8% em março. O Brasil foi o mercado onde a empresa sofreu as maiores quedas, enquanto no México elas não seriam perceptíveis até abril, uma vez que o setor esteve animado durante a maior parte de março.

“A maioria dos países em que operamos reagiu à pandemia com medidas de contenção muitos duras e os nossos números refletem o impacto inicial dessas medidas, com volumes fortemente afetados em março “, afirma Jean-François van Boxmeer, Presidente e CEO da Heineken.

Por último, a gigante americana das telecomunicações AT&T anunciou receitas consolidadas, no primeiro trimestre de 42,8 mil milhões de dólares, que comparam com 44,8 mil milhões no mesmo trimestre do ano anterior

O crescimento das receitas domésticas de serviços ‘wireless’ e as receitas estratégicas e de serviços de negócios geridos compensaram parcialmente as quedas nas receitas da WarnerMedia, vídeo doméstico, serviços de telefone fixos, equipamentos ‘wireless’ domésticos e Vrio.

As despesas operacionais foram de 35,3 mil milhões de dólares, contra 37,6 mil milhões no trimestre do ano anterior, uma queda de 6,1% devido ao impacto do Entertainment Group e da WarnerMedia associados principalmente a menores receitas, menores custos de equipamentos e eficiência de custos.

Assim, o lucro operacional foi de 7,5 mil milhões de dólares, contra 7,2 mil milhões no trimestre do ano passado, com reduções de despesas operacionais superando a descida das receitas. A margem de receita operacional foi de 17,5%, contra 16,1% no trimestre do ano anterior.

Além de seus investimentos para melhorar e expandir ainda mais as operações, a AT&T usou a liquidez para pagar um valor substancial aos acionistas em dividendos e a recomprar ações. No primeiro trimestre, os dividendos pagos totalizaram 3,7 mil milhões e a empresa recomprou 142 milhões das suas ações.

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